Telescópio espacial Hubble captou um asteróide bizarro a autodestruir-se

NASA / ESA / University of Hawaii / European Southern Observatory

Asteróide 6478 Gault com duas caudas de detritos semelhantes a cometas que sugerem que a rocha espacial é autodestrutiva

O Telescópio Hubble, da NASA, captou imagens de uma rocha espacial que está, literalmente, a desfazer-se no Espaço.

O icónico telescópio espacial, da agência norte-americana NASA, está no Espaço com o objetivo de obter fotografias de elementos da nossa galáxia para, posteriormente, transmitir dados para a Terra, de modo a oferecer aos cientistas imagens fidedignas que os possam ajudar a ter uma noção do que acontece no cosmos.

Recentemente, o asteróide 6478 Gault foi apanhado em flagrante num processo de desintegração, uma imagem rara e impressionante que apanhou os cientistas de surpresa.

Segundo o ScienceAlert, este asteróide foi descoberto em 1988 e, desde então, mantinha-se estável, medindo os seus quatro quilómetros de largura e sem apresentar qualquer ramificação que pudesse representar uma ameaça ao planetas Marte e Júpiter.

Em novembro do ano passado, o asteróide iniciou um processo de expansão, e em janeiro surgiu uma grande cauda de poeira, tradicionalmente observada em cometas. Além de surpreendidos, os cientistas ficaram cada vez mais atentos a esta evolução inesperada.

Na sequência desta observação, foram realizados vários estudos aprofundados com o intuito de explicar o fenómeno. Uma das explicações incluía a possibilidade de colisão com qualquer outro objeto espacial que tenha passado próximo do 6478 Gault.

Mas a possibilidade foi descartada depois de os cientistas terem percebido que os asteróide estava, afinal, a iniciar o seu processo de deterioração, uma situação que é bastante rara de acontecer.

“Asteróides ativos e instáveis, como o Gault, só agora começam a ser detetados pelos novos telescópios, o que significa que asteróides como este, que se estão a portar mal, nunca mais conseguirão escapar da nossa deteção”, afirmou Olivier Hainaut, do European Southern Observatory (ESO). Hainaut e os seus colegas apresentaram recentemente um estudo sobre a descoberta na Astrophysical Journal Letters.

No cinturão de asteróides existem cerca de 800 mil objetos conhecidos, e os cientistas atribuem ao estado frágil do 6478 Gault o chamado Efeito Yarkovsky-O-Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), que dita que a radiação eletromagnética do Sol interage com pequenos objetos no Sistema Solar – como este asteróide, por exemplo -, fazendo com que eles girem cada vez mais rapidamente, tornando-os instáveis.

“O asteróide poderia estar à beira da instabilidade há 10 milhões de anos. Uma pequena perturbação, como um leve impacto de uma pedra, pode ter desencadeado as recentes explosões”, explica Jan Klevna, principal autor do estudo.

Os cientistas adiantaram ainda que as caudas do Gault vão começar a desaparecer nos próximos meses, quando a poeira de dispersar pelo Espaço.

ZAP //

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