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O antebraço curvo do Little Foot pode não ser fruto de uma lesão juvenil

A curvatura do antebraço do Little Foot, o esqueleto mais completo já encontrado de um ancestral humano, pode ter uma explicação natural e não ser resultado de uma lesão, tal como defendem os cientistas que encontraram o fóssil.

Este australopiteco com 3,67 milhões de anos foi encontrado no fim da década de 90 num sistema de cavernas de Sterkfontein, na África do Sul, por uma equipa de cientistas liderada por Ronald John Clarke, que considerou que a curvatura observada no seu antebraço foi resultado de uma queda de uma árvore durante a infância.

À época, os cientistas sustentaram que o ancestral humano sofreu uma curvatura plástica do antebraço, uma deformidade comum em crianças pequenas após sofrerem uma queda traumática com a mão estendida, uma vez que os ossos juvenis são mais elásticos do que os dos adultos, explica a agência noticiosa espanhola Europa Press.

Agora, uma investigação conjunta da Universidade da Califórnia, da Universidade de Nova Iorque e do Colégio de Chaffey, nos Estados Unidos, sugere que a curvatura pode afinal ser fruto de um processo natural associado à locomoção do ancestral.

Os cientistas testaram a hipótese dos investigadores que descobriram o Little Foot utilizando a análise da forma elíptica do matemático francês Fourier (1768-1830) numa grande amostra de macacos modernos, hominídeos e humanos, sendo esta análise também combinada com casos clínicos de humanos com a mesma patologia.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica especializada Journal of Human Evolution, mostra que a curvatura do antebraço do Little Foot é semelhante à observada em orangotangos, refletindo um grau de curvatura também identificado noutros macacos e vários hominídeos primitivos.

De acordo com os cientistas, esta curvatura é uma característica anatómica normal entre os macacos existentes atualmente e muitos dos hominídeos primitivos.

Acredita-se que seja uma reação corporal aos comportamentos do próprio espécime, em que usava habitualmente o membro anterior no processo de locomoção.

  Sara Silva Alves, ZAP //

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