Aerogel de sílica pode ser a substância necessária para tornar Marte habitável

Marte é um lugar bastante inóspito e a NASA recentemente mostrou que não é possível transformá-lo numa “segunda Terra”.

No entanto, investigadores de Harvard mostraram que camadas finas de aerogel de sílica podem aquecer a superfície e bloquear a radiação ultravioleta, ao mesmo tempo que permitem a passagem da luz visível. Isto pode ser suficiente para manter a água líquida e permitir que as plantas façam a fotossíntese dentro de uma determinada região.

Marte já foi um mundo exuberante que poderia ter sustentado a vida. O Marte moderno é uma casca seca, com a única água ainda trancada nas calotas polares ou lagos salgados no subsolo. A fina atmosfera significa que há muito pouco oxigénio, é extremamente frio e não há proteção contra a radiação ultravioleta do sol.

O novo estudo de Harvard, publicado a 15 de julho na revista Nature Astronomy, poderia resolver pelo menos alguns desses problemas graças ao aerogel de sílica.

É um dos materiais mais leves alguma vez criados, transparentes e um excelente isolante térmico, o que significa que, pelo menos em teoria, uma fina camada de aerogel de sílica no céu marciano poderia efetivamente terraformar um pequeno pedaço de terra abaixo dela. Isso tornaria a superfície mais quente e refletiria a radiação ultravioleta sem bloquear a luz visível.

Os investigadores testaram a ideia recriando as condições de superfície de Marte em laboratório e colocando uma camada de aerogel de sílica sobre a parte superior para ver que mudanças poderia desencadear. Incrivelmente, descobriram que uma camada muito fina – apenas 2 a 3 centímetros de espessura poderia ser suficiente para aquecer a superfície subjacente em até 50°C.

Se feito no lugar certo, poderia trazer a temperatura superficial de Marte até -10°C – ainda frio, mas potencialmente habitável. De acordo com a equipa, citada em comunicado da Universidade de Harvard,  “o pico de aquecimento que pode obter é provavelmente ainda maior, porque o calor é perdido na nossa montagem experimental via paredes laterais e perdas térmicas de base e convecção”.

A equipa testou ainda a ideia usando um modelo climático de Marte. Isso mostrou que a colocação de aerogel de sílica no ar acima de uma região gelada e temperada do Planeta Vermelho poderia manter a água na forma líquida na superfície, e alguns metros abaixo, durante todo o ano.

Plantas e outras formas de vida poderiam sobreviver sob aquele abrigo, que ainda lhes dá luz para a fotossíntese, protegendo-as dos danos causados ​​pelos raios ultravioleta.

Por outro lado, a equipa reconhece que ainda há riscos astrobiológicos a serem considerados antes de o aerogel de sílica ser usado em Marte. Enquanto isso, os cientistas sugerem testá-lo aqui na Terra, em ambientes extremos como os desertos, por exemplo, a Antártida e o Chile.

A discussão sobre tornar Marte habitável para seres humanos e a vida da Terra também levanta questões filosóficas e éticas importantes sobre a proteção planetária.

ZAP //

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