À briga pelo Caldas. CDS recusa deixar sede, Chega faz proposta de 7 milhões (mas Patriarcado diz não ter recebido)

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José Coelho / Lusa

O novo presidente do CDS-PP, Nuno Melo, durante o 29.º Congresso do partido

O Chega quer ficar com a sede do CDS-PP, no Largo do Caldas, em Lisboa. Nuno Melo já pôs um travão nas pretensões do partido, assegurando que os democratas-cristãos vão continuar no edifício.

O presidente do CDS-PP afirmou, esta quarta-feira, que o partido não tem intenções de deixar o edifício da sua sede nacional, no Largo do Caldas, em Lisboa.

A CNN Portugal noticiou, no domingo, que o Chega ia fazer uma oferta de compra ou arrendamento do edifício em questão. Segundo fonte do partido, o Chega está disposto a pagar pelo espaço, em caso de compra, até 7 milhões de euros, ou, em caso de arrendamento, até 5 mil euros por mês.

Numa nota enviada às redações, e sem referir o nome do partido liderado por André Ventura, o centrista Nuno Melo responde ao facto de o Chega ter tornado público o interesse no edifício.

“Para o que importa, em relação a uma sede de que gostamos muito, com contrato válido e as rendas pagas, de que só sairemos um dia se quisermos — e não queremos”, reitera Nuno Melo, citado pelo Observador.

“Todos conhecemos pessoas que apareceram de repente com maços de notas no bolso, sem que se percebesse sequer bem de onde veio o dinheiro”, atira ainda. Recorde-se que, nas legislativas de janeiro, o Chega conseguiu eleger 12 deputados, o que aumentou exponencialmente a subvenção do partido.

“Sabemos também que, infelizmente, só por si, dinheiro, nunca significou gosto e principalmente, educação e valores”, acrescenta, em comunicado.

O líder do CDS-PP refere que tem sido alvo de questões sobre a sede e defende que, “tendo em conta o motivo, tão abaixo de tudo o que é a decência na política, o caso não mereceu nem merece comentários”.

De acordo com a CNN Portugal, o Chega ia enviar na passada segunda-feira uma carta ao Patriarcado de Lisboa, proprietário do edifício, a pedir valores de referência e modalidades de pagamento. Questionada pela Lusa, a assessoria de imprensa do partido indicou que “acha que seguiu logo na segunda-feira” essa comunicação.

No entanto, fonte oficial indicou à Lusa que “o Patriarcado de Lisboa não recebeu até à data nenhuma carta do Chega”.

Nas últimas eleições legislativas, o CDS perdeu representação parlamentar e, segundo o Expresso, ficou reduzido a uma subvenção de cerca de 22 mil euros por mês. A receita é escassa para pagar os salários a dezena e meia de funcionários e o aluguer de várias sedes.

Sair da sede histórica do Caldas – pela qual paga perto de 1.200 euros por mês à Câmara Municipal de Lisboa – está a merecer alguma resistência por parte da direção centrista. A saída teria de resultar de uma negociação a três: entre o CDS, o Patriarcado e a autarquia liderada por Carlos Moedas.

  Liliana Malainho, ZAP //

2 Comments

  1. Mais do que a situação do CDS, um histórico da democracia, por muito que outros tentem escamoteá-lo, o preocupante (para a transparência, pelo menos) é um partido que ainda não conta meia dúzia de anos de existência ter condições para fazer uma oferta desta magnitude.
    Creio que há muita coisa a explicar no Chega. A origem destes 7 milhões é só uma delas.
    Recordo-me, em tempos idos, de ter ficado célebre a alegação de um milhão em notas que entrou, precisamente, no Largo do Caldas. Estará o Chega à espera que esse e outros milhões ainda por lá andem?

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