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Cientista português desenvolve técnica que identifica “mais cedo” o cancro

Tiago Rodrigues, cientista português actualmente no Departamento de Bioquímica da  Universidade de Cambridge, em Inglaterra (foto: facebook/tiago.b.rodrigues)

Tiago Rodrigues, cientista português actualmente no Departamento de Bioquímica da Universidade de Cambridge, em Inglaterra (foto: facebook/tiago.b.rodrigues)

O cientista português Tiago Rodrigues desenvolveu uma técnica que “provou conseguir detetar mais cedo e com maior precisão” o cancro, um feito que consta de um artigo hoje publicado na revista Nature Medicine.

Tiago Rodrigues trabalha na Universidade de Cambridge e a sua equipa partiu da constatação de que uma das características fundamentais de qualquer cancro é a multiplicação descontrolada das células anormais que o constituem.

“Este crescimento anormalmente rápido implica que a maioria dos tumores utiliza muito mais glicose (a principal fonte de energia do corpo) que os tecidos normais”, explica fonte da universidade que está a divulgar a descoberta.

Com base nesta característica, prossegue a mesma fonte, Tiago Rodrigues desenvolveu uma técnica de ressonância magnética que permite “ver em detalhe as moléculas que as células cancerígenas utilizam para produzir a energia e seguir assim os tumores em movimento”.

“A nova abordagem já provou conseguir detetar mais cedo e com maior precisão, não só novos tumores mas também a eficácia de uma determinada terapia”.

Para Tiago Rodrigues, “se se comprovar que a técnica é segura e eficaz em pacientes oncológicos, esta pode tornar-se uma ferramenta crucial para detetar mais cedo, não só a doença, mas também a resposta ao tratamento, poupando o doente e oferecendo assim, numa fase precoce, a possibilidade de mudança de estratégia terapêutica e diminuição da carga psicológica e física dos doentes expostos a este tipo de tratamentos (quimioterapia)”.

“Também no plano económico”, prosseguiu, “esta técnica poderá oferecer benefícios, pela redução de custos em tratamentos ineficazes”.

A abordagem desenvolvida por esta equipa permite obter “imagens hipersensíveis (e não radioativas) do consumo de glicose e do seu metabolismo em tumores”. “Este novo tipo de imagens já demonstrou ser capaz de detetar numa fase extremamente precoce do tratamento os efeitos de quimioterapia em ratinhos com linfoma. A ideia é que células cancerígenas danificadas (por ação do tratamento) não transformam a glicose noutros produtos de forma tão eficiente.”

Segundo Tiago Rodrigues, trata-se de uma técnica “relativamente simples e que atua muito rapidamente. A glicose circula pelo corpo em poucos segundos, pelo que podemos obter imagens do seu metabolismo muito pouco tempo depois da sua injeção”.

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“A nossa abordagem pode ser particularmente importante para a deteção e para a avaliação da resposta a um determinado tratamento nos tumores onde a FDG-PET (Tomografia por Emissão de Positrões) apresenta um baixo contraste, como no caso do cérebro e da próstata. Como este método não utiliza radiação ionizante, imagens sucessivas ao longo do tratamento poderão ser utilizadas para seguimento (follow-up) da resposta terapêutica do doente ao tratamento aplicado”, explica o autor da descoberta.

/Lusa

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