Veneno de molusco marinho surge como solução no controlo da dor crónica

World Bank / Flickr

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Um composto extraído do veneno de um molusco marinho da família dos cones atua como supressor da dor, podendo ser alternativa aos medicamentos da classe dos opióides, anunciaram esta segunda-feira cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

A descoberta, publicada na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, abre caminho ao desenvolvimento de medicamentos de combate à dor crónica que evitem os opióides, medicamentos sintéticos poderosos, mas extremamente viciantes.

“A natureza deu origem à evolução de moléculas muito sofisticadas, com efeitos surpreendentes e que permitem descobrir os diferentes caminhos de atuação das substâncias no sistema nervoso”, disse Baldomero Olivera, professor de biologia na Universidade de Utah que liderou o estudo.

Os moluscos da família dos cones utilizam dardos microscópicos para injetarem o veneno com que paralisam as presas. O veneno de algumas espécies, especialmente do ‘conus textile’, é mortal para os humanos.

O composto extraído do veneno do ‘Conus regius’ que combate a dor foi designado ‘Rg1A’ e os investigadores concluíram que os mecanismos através dos quais atua sobre os centros nervosos da dor são totalmente diferentes dos verificados com os opióides.

Conus regius é um molusco gastrópode da família Conidae

Conus regius é um molusco gastrópode da família Conidae

Baldomero Olivera salienta que uma das novidades do ‘Rg1A’, testado em ratos, é a de os efeitos de supressão permanecerem muito tempo depois de o composto ser eliminado pelo organismo, ao fim de quatro horas.

Outro dos investigadores que realizaram o estudo, Michael McIntosh, adiantou que “que os efeitos do composto mantiveram-se, continuando a suprimir a dor 72 horas depois de ter sido injetado”.

“Estes resultados são particularmente promissores porque abrem possibilidades de prevenção. Uma vez instalada, a dor crónica é muito difícil de tratar e este composto oferece um potencial novo caminho para prevenir o processo de instalação da dor crónica e nova esperança de tratamento para pacientes que esgotaram quase todas as opções disponíveis”, referiu Michael McIntosh.

As propriedades de supressão da dor do ‘Rg1A’ foram testadas com a administração do composto a ratos que tinham sido expostos a quimioterapia que provoca extrema sensibilidade o frio e dor forte.

Os ratos injetados com o novo composto não sofreram dor, ao contrário dos ratos sujeitos à quimioterapia sem terem sido injetados com o ‘Rg1A’

O próximo passo na investigação será, segundo os autores do estudo, iniciar “testes pré-clínicos” para avaliar a segurança e comprovar a eficácia do novo tratamento.

ZAP // Lusa

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