Tribunal sueco absolve agentes da polícia que mataram jovem com síndrome de Down

Janos Marjai / EPA

Um tribunal de Estocolmo, na Suécia, absolveu três agentes da polícia que dispararam 25 tiros num jovem com síndrome de Down, enquanto este brincava com uma arma falsa. Os agentes terão confundido o homem com um suspeito que já havia sido detido há meses pelas autoridades e aguardava julgamento.

Os promotores acusaram os policiais por negligência e má conduta nos eventos que levaram ao assassinato de Eric Torell, de 20 anos, em agosto de 2018. Contudo, segundo avançou o Guardian na quinta-feira, o tribunal não conseguiu provar que os agentes estavam errados ao usar força letal.

“Pode parecer notável que a polícia tenha disparado um total de 25 tiros na época. Mas nem a investigação médica nem a técnica foram capazes de estabelecer a ordem dos tiros ou os movimentos detalhados do homem e a posição do corpo quando este foi atingido”, indicou em comunicado o advogado do tribunal, Erik Lindberg.

O julgamento concentrou-se no facto de os agentes terem dado dois tiros fatais nas costas de Eric Torell, depois que este se ter afastado, deixando assim de ser uma ameaça. Uma quarta agente, que utilizou todas as balas da sua arma durante o ocorrido, não foi acusada por se considerar que agiu enquanto o jovem ainda representava uma ameaça.

O caso levantou questões sobre a prontidão da polícia em recorrer a armas de fogo enquanto combatem a escalada de violência por parte das gangues nas cidades suecas. Seis pessoas foram mortas no ano passado, um aumento sem precedentes em relação aos anos anteriores.

“Aprendemos a ser ofensivos. Avançar, avançar – até que o autor não possa mais magoar os outros”, disse um agente a um jornal sueco após a tragédia. “Se isso significa que ele precisa ser morto a tiros, então que seja”, rematou.

No início da manhã de 02 de agosto de 2018, Eric Torell pegou uma arma de brinquedo no seu quarto e saiu para brincar. A sua condição fazia com que se movesse de forma lenta e desajeitada, de acordo com a sua mãe. O jovem comportava-se como uma criança de três anos e só conseguia dizer a palavra “mãe”.

No dia do ocorrido, algumas pessoas alertaram a polícia de que estava um homem armado na rua. Segundo o Guardian, os agentes da polícia temiam que pudesse ser um suspeito que tinha atacado violentamente um dos seus parceiros e ameaçado matá-lo, tendo assumido que estavam a “caçar um potencial assassino”.

O que os agentes não sabiam é que esse homem tinha sido detido meses antes aguardava julgamento. Essa informação, contudo, não constava no banco de dados da polícia.

Ao se aproximarem do local onde se econtrava Eric Torrel, os agentes encontrou o pai do jovem, que procurava pelo filho. Nenhum deles percebeu, porém, que o jovem era a causa do alarme.

A mãe de Eric Torell, Katarina Söderberg, disse que aceitou o veredicto do tribunal, mas que a polícia deve mudar a forma como responde a situações de emergência. “Espero que tenhamos aprendido a lição e espero ver o que deve mudar para proteger todas as crianças e jovens com deficiências intelectuais e de desenvolvimento, que fazem parte da comunidade”, referiu à imprensa sueca.

De acordo com o Guardian, já era esperado que os agentes não fossem condenados, visto ser “extremamente raro a polícia sueca ser condenada por usar as suas armas durante o serviço ativo”. Karl Johan Thulin e Hans Christian Appelgren foram acusados ​​de má conduta e Hannes Erik Bäckström de negligência, por terem causado a morte do jovem.

A munição usada pela polícia sueca causa ferimentos graves, a fim de parar rapidamente o atirador e impedir que a bala saia do corpo da pessoa e atinja outra pessoa.

Um membro do júri discordou do veredicto, acreditando que os dois agentes que dispararam os tiros letais deveriam ser considerados culpados. Já Anton Strand, advogado de um dos policiais, disse que a decisão do tribunal “não diminui a tragédia”.

TP, ZAP //

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