A seca provocou o colapso da antiga civilização Maia? Há dúvidas

Daniel Schwen / Wikimedia

Pirâmide de Kukulcán, na cidade maia de Chichen Itza, no México

O período de seca coincidiu com o declínio dos Maias no século IX, mas um novo estudo mostra que a civilização consumiu 500 plantas diferentes, muitas delas resistentes à falta de chuva.

Em julho, um estudo mostrou que o tamanho da população Maia na cidade de Itzan, na atual Guatemala, variou ao longo do tempo em resposta às alterações climáticas.

Na altura, as descobertas revelaram que tanto as secas quanto os períodos de muita chuva levaram a declínios populacionais importantes.

Agora, uma nova investigação levantou algumas dúvidas sobre a seca enquanto motor do colapso da antiga civilização Maia.

De acordo com a Universidade da Califórnia, uma análise levada a cabo pelo arqueólogo Scott Fedick e pelo fisiologista vegetal Louis Santiago indicou que os Maias tinham quase 500 plantas comestíveis à sua disposição, muitas das quais altamente resistentes à seca.

“Mesmo em situação de seca mais extrema – e não temos provas claras da situação mais extrema alguma vez ocorrida – 59 espécies de plantas comestíveis ainda teriam persistido”, afirmou Louis Santiago, um dos autores do artigo científico publicado, a 4 de janeiro, na Proceedings of the National Academy of Sciences. 

Entre os tubérculos mais consumidos pelos Maias estão a mandioca e o palmito, além das folhas de chaya, ricas em proteínas, ferro, potássio e cálcio.

“Juntas, a chaya e a yucca teriam fornecido uma grande quantidade de hidratos de carbono e proteínas“, adiantou Santiago.

A equipa não avança, contudo, uma razão plausível para o declínio da antiga civilização Maia, ainda que suspeite que as convulsões sociais e económicas desempenharam um papel importante.

“Uma coisa que sabemos é que a explicação demasiado simplista da seca que levou ao colapso da agricultura provavelmente não é verdadeira“, rematou Fedick.

  Liliana Malainho, ZAP //

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