A flatulência diz muito sobre a sua saúde. Os cientistas estão à escuta

Estudante de engenharia mecânica lidera uma equipa que, através da Inteligência Artificial, tenta analisar o som de cada momento na sanita.

E que tal se cada momento, nomeadamente cada som que emite na sanita, fosse analisado?

Um estudante de engenharia mecânica lidera uma equipa que, através da Inteligência Artificial, tenta analisar o som de cada momento nesse local particular.

Ancalle é o estudante e, ao lago da engenheira atro-espacial Maia Gatlin, criou um dispositivo mecânico que recria a física e os sons da função corporal humana.

É uma máquina de teste de reprodução acústica humana sintética (SHART, em inglês). É uma ferramenta com alguns metros de largura e muitos bicos e acessórios.

O portal Inverse explica que este algoritmo de Inteligência Artificial analisa tudo que se ouve na sanita.

De uma forma menos invasiva (comparado com vídeo ou com depoimentos da própria pessoa), os sons do flato são distintos – e essas diferenças originam análises/diagnósticos distintos. O espectro de frequência de som de cada extracção foi recolhido.

E funciona: o algoritmo acertou em 98% dos casos.

Este método não é só uma questão de curiosidade, de uma espécie de Big Brother em momentos de intimidade.

Esta ferramenta quer ajudar a diminuir o número de pessoas que morrem, por exemplo, devido a cólera. Quer detectar antecipadamente a doença e evitar um surto.

Doenças ligadas a diarreia, como a cólera, matam cerca de 500 mil crianças por ano. É aliás a terceira principal causa de mortalidade infantil em todo o mundo.

Aumentar e antecipar a detecção de doenças reforçaria o tratamento e ajudaria a prevenir surtos.

Para chegar a esse objectivo, a equipa quer combinar o modelo de aprendizagem de máquina com sensores baratos e implantá-los em regiões susceptíveis a surtos dessas doenças.

Com os dados reunidos, sempre que se verifique que há um surto de diarreia, parte-se para a detecção e prevenção numa determinada zona.

E a ideia inicial deste estudo até era relacionar o som dos “traques” com a geometria interna de um recto – mudanças invulgares nesta ligação podem ser sintoma de cancro.

Como o foco deste projecto são zonas do planeta com menos recursos económicos, o projecto final será algo “que possa ser pago por todos”.

Os resultados de Ancalle e Gatlin ainda não foram revistos por pares, para depois serem publicados.

  ZAP //

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