Asteróide Ryugu é semelhante a uma esponja gigante (e pode ter um núcleo denso escondido no interior)

Akademy / Flickr

Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

O rover espacial MASCOT conseguiu fazer medições que mostraram que, ao contrário do esperado, o asteróide Ryugu está vazio por dentro e a sua estrutura porosa é semelhante à de uma esponja.

A descoberta explica por que razão apenas um número extremamente pequeno de meteoritos deste tipo atinge a superfície da Terra.

Anteriormente, os astrónomos acreditavam que a superfície dos asteróides condritos do tipo C estava coberta de poeira fina e seixos cósmicos e que o seu interior era composto de rochas relativamente densas.

No entanto, de acordo com um estudo publicado a 15 de julho na revista Nature Astronomy, tudo aconteceu de maneira diferente quando a MASCOT investigou Ryugu e descobriu que apenas a sua superfície abrigava grandes rochas, enquanto o seu interior estava vazio.

“Ryugu surpreendeu-nos, só vimos grandes fragmentos no asteróide que são muito porosos e provavelmente muito frágeis”, disse Matthias Grott, um dos líderes da missão MASCOT, em comunicado. “Agora podemos confirmar que é muito provável que os fragmentos desses asteróides se quebrem ainda mais quando entram na atmosfera da Terra e, em geral, queimam completamente.” Isso significa que apenas os maiores fragmentos atingem a superfície da Terra.

Esta teoria também é confirmada pelo facto de que o asteróide aquece e arrefece muito lentamente quando a “manhã” e “noite” chegam nas regiões estudadas pela MASCOT. Por outro lado, os cientistas não excluem que um núcleo denso e sólido coberto por uma camada bastante espessa de rochas parcialmente divididas e esmagadas possa estar escondido por dentro.

Os astrónomos assinalam que, neste sentido, Ryugu é parecido com os cometas Churyumov-Gerasimenko e Hartley. Isto, por sua vez, indica que o objeto que originou o asteróide era constituído por material primário do sistema solar e era bastante grande, sendo que o seu diâmetro pode ter superado os 50 quilómetros. Se se confirmar essa teoria, Ryugu poderia ser um fragmento da crosta primária do “embrião” de um planeta.

 

Por outro lado, também é possível que o progenitor deste corpo celeste fosse um objeto relativamente pequeno, com aproximadamente um quilómetro de largura. Neste caso, deveria ter surgido nos primeiros momentos da vida da família planetária, quando o disco protoplanetário estava suficientemente quente para a existência de água líquida.

A nave espacial Hayabusa-2 foi lançada ao espaço no início de dezembro de 2014 para estudar, recolher e enviar amostras do asteroide Ryugu. A nave permaneceria perto do asteróide durante um ano e meio para recolher amostras de solo e para depois as trazer para a Terra.

Além disso, a Hayabusa-2 levou ao asteróide os rovers japoneses Rover-1A e Rover-1B, batizados de MINERVA-II-1, bem como o aparelho europeu MASCOT. Os primeiros atingiram a superfície do objeto espacial no final de setembro de 2018 e o MASCOT pousou no Ryugu em outubro.

O rover realizou com sucesso todas as tarefas científicas recolhendo os dados necessários e tirando fotografias para conhecer melhor o asteróide.

ZAP //

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