A maior catástrofe ambiental de sempre foi causada por super erupções vulcânicas na Austrália

(dr) Envato Elements

As super erupções expeliram cerca de 150 mil quilómetros cúbicos de cinzas e gases ao longo de quatro milhões de anos. O evento foi sentido em todo o planeta e levou à extinção de inúmeras espécies.

Há cerca de 252 milhões de anos, o mundo estava a passar por um período tumultuoso de aquecimento global rápido.

Para se perceber o que o causou, os cientistas olharam para um evento em particular em que uma erupção vulcânica naquilo que agora é a Sibéria cuspiu enormes volumes de gases com efeito de estufa para a atmosfera. No entanto, há provas de que o clima já estava a mudar antes disto.

A temperatura da superfície do mar aumentou mais do que entre 6 e 8ºC nas centenas de milhares de anos que anteciparam a erupção na Sibéria. As temperaturas aumentaram novamente depois desta, tanto que 85%-95% das espécies vivas se extinguiram.

A erupção na Sibéria obviamente fez uma marca no planeta, mas os especialistas continuavam com dúvidas sobre o que causou o aquecimento inicial antes desta.

Uma nova pesquisa publicada na Nature revela que os vulcões antigos da Austrália tiveram um papel importante. Antes do evento na Sibéria, as erupções catastróficas no norte de New South Wales cuspiram cinzas vulcânicas pela costa leste.

Estas erupções eram tão grandes que desencadearam a maior catástrofe climática de sempre — as provas das quais estão escondidas nas profundidades das espessas camadas de sedimentos na Austrália.

Vulcões antigos

O estudo confirma que o leste da Austrália foi abalado por repetidas super erupções há entre 256 e 252 milhões de anos. As super erupções são diferentes do evento siberiano mais passivo. Estas explosões catastróficas emitiram quantidades massivas de cinza e gases para a atmosfera.

Hoje em dia vemos provas disto nas camadas de cor clara das cinzas vulcânicas nas rochas sedimentares. Estas camadas são encontradas em enormes áreas em New South Wales e Queensland, até desde Sydney até Townsville.

Apesar da erosão ter removido muitas das provas, as rochas que agora parecem inócuas são o nosso registo destas erupções aterradores. A espessura e propagação das cinzas produzidas é consistente com algumas das maiores erupções conhecidas.

Quão grandes foram as erupções?

Pelo menos 150 mil quilómetros cúbicos de material foram expelidos pelos vulcões do norte de New South Wales ao longo de quatro milhões de anos. Isto torna-os semelhantes aos super vulcões de Yellowstone, nos Estados Unidos, e de Taupo, na Nova Zelândia.

Para se colocar em perspetiva, a erupção do Vesúvio produziu apenas entre três e quatro quilómetros cúbicos de rocha e cinza. As erupções australianas teriam repetidamente coberto a costa leste inteira de cinzas, com metros de espessura em alguns sítios. E uma expulsão massiva de gases de efeito de estufa teria iniciado uma mudança climática global.

Devastação ambiental

Os depósitos de carvão atuais no leste da Austrália mostram que florestas antigas costumavam cobrir muito deste território. Depois das super erupções, no entanto, estas florestas foram abruptamente eliminadas por uma série de incêndios florestais durante 500 mil anos, há entre 252,5 e 253 milhões de anos.

A matéria das plantas acumulou-se nos pântanos e ficou enterrada debaixo dos sedimentos. O processo de enterramento criou o calor e pressão que permitiu a conversão da matéria em carvão.

Sem as florestas, não havia matéria de plantas para acumular. O ecossistema colapsou e a maioria dos animais ficou extinta. O evento catastrófico afetou todos os antigos continentes e teve uma influência substancial na evolução da vida — que eventualmente levou ao surgimento dos dinossauros.

As uper erupções na Austrália foram uma mudança-chave no mundo antigo. Enquanto procuramos alcançar um clima mais habitável no futuro, quem diria que as pistas para uma catástrofe ambiental estavam enterradas sob os nossos pés?

  ZAP // The Conversation

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