Famalicão 1-4 Porto | Lição de eficácia em vésperas de “clássico”

Resposta forte do FC Porto aos triunfos dos rivais nesta 13ª jornada. Em vésperas de receber o Benfica no grande “clássico” da Liga NOS, os “dragões” foram a Famalicão vencer por 4-1 numa demonstração de qualidade competitiva expressa na eficácia avassaladora no momento da finalização. 

Dos cinco remates enquadrados, quatro encontraram o fundo da baliza famalicense. Mehdi Taremi (2), Sérgio Oliveira e João Mário fizeram os golos forasteiros, Jhonata Roberto marcou pelos da casa.

O jogo explicado em números

  • Em relação à vitória sobre o Moreirense, na última jornada, Sérgio Conceição procedeu a duas alterações, com Nanu a ocupar a vaga de Wilson Manafá (Covid-19 positivo) no lado direito da defesa e Otávio a regressar ao “onze”, no lugar de Luis Díaz. Nos homens da casa, destaque para a aposta num sistema de três defesas e para a longa “viagem” de Gil Dias de defesa-esquerdo para extremo-direito, no lugar habitualmente ocupado por Rúben Lameiras – transferido para o Vitória SC -, com Rúben Vinagre a estrear-se no seu lugar.
  • Logo aos 13 minutos, o primeiro golo. Jesús Corona fugiu pela direita, cruzou rasteiro, a defesa do Famalicão foi mais rápida do que…. a bola e deixou-a passar nas suas costas, chegando a Mehdi Taremi que rematou de pronto para o 1-0. Ao segundo remate, primeiro enquadrado, o primeiro dos “dragões”.
  • Ao quarto-de-hora só dava Porto: 68% de posse de bola, os únicos dois remates do jogo, 84% de eficácia de passe, contra zero remates dos homens da casa que, ainda assim, registavam uma acção com bola na área portista, tantas quando o Porto do outro lado. Até que aos 17 minutos, quando Anderson Oliveira ia fazer o primeiro remate da sua equipa, Diogo Leite fez falta na área sobre o avançado e o árbitro assinalou penálti. Jhonata Robert não desperdiçou da marca dos 11 metros.
  • O Famalicão vinha de três jogos sem marcar qualquer golo e conseguia quebrar o enguiço logo contra os campeões nacionais, e logo no primeiro remate. E esse tento deu alento à equipa, que começou a ter um pouco mais de bola e a travar os movimentos ofensivos dos “dragões” com mais facilidade. Porém, aos 29 minutos, mais um penálti. Vaná saiu de forma extemporânea e carregou Taremi. Na conversão, Sérgio Oliveira não falhou o 2-1.
  • Por esta altura o Porto tinha três remates, dois enquadrados, dois golos, registava 60% de posse, quatro acções com bola na área contrária e regressava a uma tranquilizadora vantagem, mas não teve no Fama um adversário fácil, pois os homens da casa não baixaram os braços.
  • Intervalo Primeira parte bem disputada, numa noite fria em Famalicão, com vantagem marginal do Porto, mas justificada pela superioridade patenteada ao longo dos primeiros 45 minutos. Muito mais bola, mais remates, mais enquadrados, mais acções com bola na área e melhores jogadas de ataque. Nesta primeira parte houve dois penáltis, um para cada, com Mehdi Taremi em destaque ao marcar um golo e ao ser sobre si feita a falta do castigo máximo convertido por Sérgio Oliveira. O iraniano era o melhor em campo ao descanso, com um GoalPoint Rating de 6.7, com um golo, só três passes, mas todos certos e quatro acções com bola na área contrária.
  • Entrada “mandona” do Porto no segundo tempo e golo aos 58 minutos. Bola na área, Taremi cabeceou em “balão” e Vaná pelo chão, após escorregar na relva gelada, impedindo-o de acorrer ao lance. Dois remates no segundo tempo, um golo para os “dragões, que por esta altura tinha 68% de posse de bola.
  • O golo tirou ímpeto ao Famalicão e clarividência aos lances de ataque das duas equipas, pelo que este se tornou algo confuso e pouco assertivo. Aos 70 minutos nem uma nem outra equipa haviam registado qualquer remate desde o 3-1, com o jogo a decorrer muito a meio-campo, com trocas de bola e pouca objectividade. O primeiro surgiu aos 73 minutos, com Gil Dias a rematar muito perto do poste esquerdo de Marchesín.
  • O Famalicão terminou o jogo a atacar, em busca de reduzir a desvantagem, e aos 85 minutos, Marchesín realizou uma grande defesa a livre apontado superiormente por Lukovic, num dos lances mais espectaculares do jogo. E a seguir negou o golo a Anderson em mais uma grande estirada.
  • Só que nestas coisas, quem não marca… arrisca-se. E numa fase de pressão anfitriã, João Mário fugiu pela direita e arrancou um pontapé forte e colocado, fazendo o seu primeiro golo pelo Porto e o 4-1 no jogo, ao quinto enquadrado dos “azuis-e-brancos”. Estava fechada a história da partida.

O melhor em campo GoalPoint

Mais uma grande exibição do Jogador do Mês de Dezembro. Mehdi Taremi foi o exemplo acabado da competência defensiva, o que lhe valeu a distinção de MVP, com um GoalPoint Rating de 8.5. O iraniano bisou na partida, um golo em cada metade, em apenas três remates realizados e nos dois que conseguiu enquadrar. Além disso foi ele que sofreu falta para a grande penalidade do 2-1, terminando com seis acções com bola na área contrária e cinco faltas sofridas, três em zonas perigosas. Pelo ar ganhou dois de três duelos aéreos ofensivos.

Fernando Veludo / Lusa

Jogadores em foco

  • Sérgio Oliveira 6.8 – Mais um golo do médio portista, o seu 12º na época em todas as competições. Sérgio fez três remates, um enquadrado, um passe para finalização, registou cinco passes longos certos em dez e oito passes progressivos eficazes. Desta feita esteve menos assertivo defensivamente.
  • Zaidu Sanusi 6.1 – Jogo consistente do lateral-esquerdo, que completou três de quatro tentativas de drible, fez sete recuperações de posse e destacou-se-defensivamente com três desarmes e outras tantas intercepções. Faltou-lhe preponderância ofensiva.
  • Mateus Uribe 6.1 – Mais um excelente jogo do colombiano, forte no passe e nos momentos defensivos. Em 45 passes acertou 41, cinco de seis longos encontraram o seu destinatário, completou as duas tentativas de drible e recuperou oito vezes a posse de bola.
  • Andrija Luković 6.0 – O melhor do Famalicão foi o sérvio. Extraordinário o livre directo que obrigou Marchesín a uma defesa de grande nível. O médio fez ainda um passe para finalização, dois desarmes e outras tantas intercepções.
  • Jhonata Robert 5.9 – O brasileiro fez o golo dos homens de Famalicão, de grande penalidade, e perante as poucas oportunidades para brilhar acabou por se destacar pelos três desarmes que realizou.
  • Vaná Alves 2.7 – Partida para esquecer do guardião brasileiro. Além da grande penalidade que cometeu, fez só uma defesa e cometeu um erro resultante em golo.

GoalPoint

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