As jovens sul-coreanas saem à rua com rolos na cabeça (e não se importam)

paulk / Flickr

Uma mulher com vários rolos na cabeça

Na Coreia do Sul, as jovens estão a sair à rua com rolos na cabeça. Defendendo que não são apenas um acessório funcional para o cabelo, garantem que veem nos pequenos objetos cilíndricos um sinal de mudança e um reflexo da divisão geracional do país.

Em Seul, há mulheres com rolos na cabeça em restaurantes, transportes públicos, cafés ou na rua. Embora possam ser associados ao passado, as jovens defendem que estes pequenos cilindros assinalam uma mudança ideológica no que diz respeito ao género e à beleza.

Ao The New York Times, Jung Yoon-won, uma estudante de 23 anos, diz que sai com rolos na cabeça para manter a franja encaracolada, principalmente antes de ir a um evento ou reunião. Ao diário britânico, a jovem contou que a mãe lhe pediu para parar de sair assim à rua, com receio de que outras pessoas achassem inapropriado.

Jung não concorda com a mãe. A atitude independente é partilhada por muitos jovens na Coreia do Sul, que não se sentem obrigados a seguir convenções que, outrora, vigoraram na sociedade sul-coreana.

Atualmente, os jovens estão menos preocupados com o que os outros pensam e optam por viver uma vida despreocupada.

Ao contrário das gerações anteriores, que sentiram a necessidade de tratarem de si em privado, as mulheres não se importam que as suas rotinas de beleza estejam visíveis aos olhos de toda a gente.

As sul-coreanas entendem que devem ter a liberdade de se comportar como querem em público, sem terem de se conformar com a beleza e as expectativas de género.

A indústria cosmética da Coreia do Sul tem prosperado, apesar dos constrangimentos impulsionados pela pandemia de covid-19. No entanto, há cada vez mais jovens a preferir não usar maquilhagem.

Em declarações ao NYT, Kim Dong-wan, investigador de 25 anos, disse que, num primeiro momento, ficou “confuso” quando viu mulheres com rolos na cabeça em público, há cerca de seis anos.

Agora, diz que “não se importa” e que, hoje em dia, é menos provável que as mulheres se sintam pressionadas a esconder este tipo de hábitos. “Os tempos mudaram muito” e as jovens sul-coreanas só querem ser capazes de “fazer o que querem em paz”.

  ZAP //

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