Durante a maior parte da história, os humanos foram baixos — e a justificação para isso pode não estar na alimentação

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Investigadores germânicos estabelecem uma relação entre a altura dos indivíduos e o seu estatuto social, rejeitando, por exemplo, o impacto da alimentação neste processo.

Durante grande parte da história da existência humana, os indivíduos dificilmente ultrapassavam os 1,70 metros de altura — incluindo aqueles que, perante a sua situação privilegiada, tinham acesso a comida. A descoberta, feita recentemente, acrescenta evidências de que o atrofiamento não é um indicador totalmente fiável de desnutrição. Na realidade, em vez de uma boa dieta — baseada nos vários nutrientes —, o que pode estar em causa, na luta pelo crescimento, é a competição pelo domínio de algumas sociedades.

Enquanto investigadora da Universidade de Potsdam e médico pediátrico,respetivamente, Christiane Scheffer e Michael Hermanussen passaram vários anos a estudar a altura de indivíduos pertencentes a partes significativas (e diferentes) da população. Na sua última investigação, combinaram os dados referentes a mais de 6000 esqueletos humanos pre-históricos de indivíduos com múltiplos estudos da população mais recente, a residir na Europa e nos Estados Unidos.

Através da investigação publicada no American Journal of Human Biology, é possível perceber que na pré-história a altura máxima dos homens variava entre o 1,65 e os 1,70 metros, ao passo que as mulheres se ficavam pelo 1,60 metros. Atualmente, e usando a população inglesa como referência, os homens têm uma média de alturas na ordem dos 1,75 metros de altura e as mulheres 1,62 — já na Alemanha, os números são alguns centímetros mais elevados.

Na realidade, este fenómeno já podia ser observado na pré-história, período onde um grupo de rapazes de classe média da Alemanha de 1800 era consideravelmente mais baixo do que as crianças da atualidade — ao ponto de serem consideradas atrofiadas de acordo com os padrões médicos de hoje. Ainda assim, é possível denotar algumas diferenças e variações entre países mesmo na atualidade. Por exemplo, as crianças indonésias consideradas para efeitos de investigação eram mais baixas do que as norte-americanas com idades semelhantes, apesar de as primeiras estarem bem-nutridas.

Como tal, os investigadores questionaram-se: se a disponibilidade de alimentos não é um fator determinante na definição de altura, então qual será o fator decisivo? Os dois investigadores apontam que a altura pode ser um sinal de domínio, daí que em sociedades onde é possível subir várias classes sociais, a evolução favorece os indivíduos que crescem mais. Por outras palavras, crescer uns centímetros acima da média, descreveu Christiane Scheffer à New Scientist, está associado à expectativa de uma “vida melhor“.

Os investigadores — que contrariam muitas teorias criadas anteriormente — apontam ainda que o atrofiamento não é um bom indicador para se perceber se as crianças são mal-nutridas ou não, defendendo que não encontraram nenhuma relação entre a altura e o estatuto nutricionais. Isto pode significar, por exemplo, que existirão milhões de crianças mal nutridas, sobretudo em países e até famílias de baixos rendimentos, cuja altura esconde uma realidade alimentar desprovida de variedade e quantidade.

  ZAP //

1 Comment

  1. Então porque explica que primos filhos de irmãos uns ficaram em Portugal outros Nasceram nos EUA a diferença de altura dos homens nascidos década 60 e 70 chega a ser de 20 cm a mais nos EUA eu tenho 1.80 Nascido e criado em Portugal meus primos americanos têm mais 20 cm que eu
    As minhas tias são todas da mesma estatura baixinhas até 1.60 os pais também portugueses 1.70 e os filhos com discrepâncias tão grandes
    Somos 9 primos Portugueses e 4 primos americanos

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