A mãos com um escândalo de denúncias internas, Facebook pede a funcionários que preservem documentos

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Alex Wong / Getty Images / AFP

Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook

Apelo foi feito poucos dias depois de ser conhecida a intenção da empresa em mudar de nome para responder aos escândalos recentes que a têm afetado e que estão relacionados, entre outros aspetos, com a propagação de discurso de ódio. 

As últimas semanas têm sido particularmente duras para o império de Mark Zuckerberg, que tem lutado para minimizar os danos causados pelas revelações feitas por Frances Haugen, antiga funcionária da empresa. Perante o senado norte-americana, Haugen tem, repetidamente, afirmado que os trabalhadores do Facebook e Instagram (redes sociais pertencentes ao mesmo grupo) estão cientes dos perigos inerentes ao discurso de ódio que ali se pratica, optando por priorizar os lucros em detrimento de estratégias que o limite.

À medida que a audição decorre e os senadores insistem na procura e obtenção de mais provas — que lhes permitem regular de forma mais restrita a plataforma —, as campainhas já começaram a spar nos próprios escritórios da empresa. Segundo avança o The Guardian, a Facebook pediu aos funcionários que preservem os documentos internos e as comunicações entre funcionários, evocando motivações legais.

À Reuters, um representante da empresa confirmou a comunicação interna. “A solicitação da preservação de documentos é algo comum quando se está a meio de inquéritos legais”, alegou. Em causa, avança o The New York Times, deverão estar todas as comunicações desde 2016, ano em que se realizaram, por exemplo, o referendo do Brexit e as eleições norte-americanas, da qual Donald Trump saiu vitorioso.

Para além de testemunhar perante o Congresso norte-americano sobre a sua própria experiência, Frances Haugen também se fez acompanhar de documentos internos, os quais, nas últimas semanas, foram amplamente divulgados e publicados nos meios de comunicação.

Ao The Guardian, Frances Haugen afirmou que decidiu avançar com as revelações com o objetivo de “salvar a vida das pessoas, sobretudo no território sul do globo”, onde, acredita residem as populações mais ameaçadas pela estratégia da Facebook em priorizar as receitas em detrimento do bem-estar das pessoas. “Se eu não tivesse divulgado estes documentos, eles nunca teriam visto a luz do dia“, afirmou.

Para além da proliferação do discurso de ódio e de desinformação, com consequências nefastas e diretas nos processos democráticos, outro dos aspetos mais destacados após a divulgação dos conteúdos teve que ver com o impacto das publicações de Instagram na saúde mental das raparigas adolescentes, outro aspeto que também será do conhecimento da empresa, mas que esta opta por ignorar .

A resposta da Facebook foi sempre no sentido de negar as alegações, categorizando as notícias como um “esforço coletivo de usar documentos roubados especialmente selecionados para construir uma falsa narrativa da empresa”.

Esta semana, numa reunião com investidores, Mark Zuckerberg afirmou que os principais problemas que a empresa enfrenta não têm que ver com assuntos relacionados com “as redes sociais” em si, mas com a “polarização que começou a crescer nos Estados Unidos” ainda antes de o milionário nascer.

  ZAP //

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