Criado primeiro medicamento biossimilar para combater efeitos da quimioterapia

SXC

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Uma medicamento de produção inédita no Brasil, que reduz os efeitos colaterais do tratamento contra o cancro, deve chegar ao mercado em 2016, depois de ter sido aprovado há pouco mais de um mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa).

O Fiprima (filgrastim) é o primeiro medicamento biossimilar (biológico similar) inteiramente desenvolvido no Brasil – e o primeiro da América Latina.

Os medicamentos biossimilares são parecidos com medicamentos biológicos, que por sua vez são produzidos a partir de um organismo vivo, e não apenas através da manipulação química de sais em laboratório, o que torna o seu desenvolvimento muito mais complexo.

Em todo o mundo existem apenas 20 biossimilares registados, incluindo o produto brasileiro, que são considerados uma nova fronteira para a indústria farmacêutica global.

O novo medicamento é uma versão de um medicamento biológico originalmente desenvolvido pela Roche, cuja patente expirou no início dos anos 2000. É indicada para pacientes que apresentam o sistema imunitário comprometido pela realização de tratamento de quimioterapia.

O medicamento permite o restabelecimento da imunidade, evitando o aparecimento de doenças infecciosas.

O novo biossimilar foi desenvolvido pela Eurofarma, e através de um acordo de transferência de tecnologia, será produzido pela Fiocruz e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde no Brasil.

Com a produção própria, o Ministério da Saúde espera economizar 9,3 milhões de reais (2,3 milhões de euros) num prazo de cinco anos.

Glóbulos brancos, organismo vivo

O medicamento é fundamental para os pacientes submetidos a tratamentos de quimioterapia e que acabam por apresentar uma contagem muito baixa de neutrófilos – glóbulos brancos que ajudam no combate às infeções.

Segundo o Instituto Nacional do Cancro brasileiro, mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com cancro em todo o mundo a cada ano.

O desenvolvimento do biossimilar contou com financiamento de quase quatro milhões de euros da Financiadora de Estudos e Projetos e levou dez anos a ser concluído.

Medicamentos biológicos como o Fiprima são muito mais complexos do que os remédios tradicionais precisamente porque não são sintéticos – ou seja, não dependem apenas de uma manipulação de substâncias químicas em laboratório para serem produzidos.

Os remédios biológicos são em geral proteínas produzidas por um organismo vivo – que pode ser uma bactéria, uma levedura ou uma célula de mamífero.

Os cientistas alteram geneticamente esses organismos vivos para que passem a produzir exatamente aquela substância de que precisam e nada mais, e cultivam então os organismos para que se transformem em “fábricas” de proteínas.

“Os primeiros remédios biológicos surgiram nos anos 80”, explica à BBC a vice-presidente da Eurofarma, Martha Pena.

“Quando parecia que a indústria farmacêutica tinha começado a ficar limitada, que tínhamos resolvido parte das doenças e que outras, simplesmente, não conseguiríamos resolver, surgiu essa nova tecnologia que nos permitiu interferir em mecanismos biológicos, recetores de células, algumas formas de vírus.”

Tanto assim é, diz Martha Pena, que a Filgastrima foi um dos primeiros medicamentos biológicos desenvolvidos no mundo e, só agora, foi possível criar uma cópia. No caso, o Fiprima.

ZAP / BBC

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