“Totalmente depauperado”. Bruno de Carvalho pede dispensa das sessões de julgamento

António Cotrim / Lusa

Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting

O ex-presidente do Sporting, que disse ser comentador desportivo, pediu dispensa das sessões, alegando não ter meio de transporte e estar completamente “depauperado”.

Arrancou, esta segunda-feira, no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, o julgamento de 44 arguidos, entre eles o ex-presidente Bruno de Carvalho, na sequência do processo da invasão ataque à academia do clube em Alcochete.

O ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, Bruno Jacinto, foi o único dos 43 arguidos presentes (o ex-líder da Juve Leo, Fernando Mendes, faltou por questões de saúde) a querer prestar declarações na primeira sessão do julgamento.

Entretanto, a defesa de muitos dos arguidos pediu que os respetivos constituintes pudessem estar ausentes durante o julgamento, uns por se encontrarem a trabalhar, outros por estudarem.

O advogado do ex-presidente dos leões foi um deles, tendo pedido que Bruno de Carvalho seja dispensado de marcar presença nas audiências, a não ser naquelas que o tribunal entenda necessário. “Não tem meio de transporte próprio, tem ocupação profissional, duas horas de manhã e duas horas à tarde, e está totalmente depauperado“, justificou Miguel Fonseca.

A presidente do coletivo de juízes, Sílvia Pires, acedeu aos pedidos de cerca de duas dezenas de arguidos, incluindo o do ex-dirigente que, quando questionado sobre a sua atividade profissional, declarou que atualmente faz “comentários desportivos”.

À saída do tribunal, questionado pelos jornalistas sobre se saía satisfeito, Bruno de Carvalho interrogou: “Alguém pode sair satisfeito de um julgamento?”, cita o Observador.

Em relação à reconstituição do que aconteceu em Alcochete, o ex-presidente leonino disse que gostava que ficasse provado que, se “as pessoas foram avisadas, os jogadores podiam ter sido colocados em segurança. Mas para isso é preciso que o coletivo de juízes tenha conhecimento in loco daquilo que é a academia, da facilidade que tinha sido colocar os jogadores em segurança”.

“Para quem ouviu como deve ser o que foi dito, tudo normal. Para quem não ouviu, não. Faz uma grande parangona e vai inventar mais uma vez”, disse ainda sobre as declarações de Bruno Jacinto, citado pelo jornal online.

Bruno Jacinto omitiu informação à PSP

Bruno Jacinto contou que, na noite de 14 de maio de 2018, véspera do ataque, recebeu um SMS de Tiago Silva, da direção da Juventude Leonina, informando que alguns elementos da claque iriam à academia para confrontar verbalmente a equipa.

O arguido disse ao coletivo de juízes que nessa noite reportou a situação por mensagem ao então diretor-geral do clube André Geraldes, na qual mencionava que um grupo da claque ia à academia para falar com a equipa e o treinador Jorge Jesus. Na resposta, André Geraldes questionou, ainda nessa noite, “quando”, com o arguido a responder “amanhã”.

A 15 de maio, dia do ataque, por volta da hora de almoço, um elemento dos spotters (equipa da PSP responsável pelo acompanhamento das claques), dado o contexto conturbado que o Sporting vivia e depois do que se tinha passado no Aeroporto da Madeira, perguntou a Bruno Jacinto se “ia alguém à academia”, mas o arguido respondeu-lhe que “não sabia se ia alguém”.

A revelação consta de um memorando escrito por Bruno Jacinto em finais de setembro, inícios de outubro de 2018, a pedido de um vice-presidente do Sporting, que lhe pediu para colocar por escrito a sua versão dos factos.

O arguido foi confrontado esta tarde com esse documento, que está junto aos autos, o que levou o coletivo de juízes a questioná-lo sobre as razões que o levaram a não comunicar à PSP, pelo menos, de que havia conversas sobre a ida da claque à academia de Alcochete.

Não achei relevante. Das outras vezes que as claques foram à academia não se passou nada e não havia spotters nem agressões físicas. Não avaliei a situação dessa forma”.

O arguido contou ainda que, quando chegou à academia, viu cinco elementos da claque, arguidos no processo, entre os quais Fernando Mendes, a falar com o jogador William Carvalho e outros elementos do staff, numa altura em que o ataque já tinha acontecido e do qual afirmou nunca ter tido conhecimento.

O ex-funcionário do Sporting relatou ainda que, em abril de 2018, um ou dois dias após a derrota em Madrid e a publicação feita no Facebook pelo então presidente do clube, houve uma reunião na sede da Juve Leo, conhecida como ‘casinha’, junto ao Estádio de Alvalade, na qual marcaram presença Bruno de Carvalho, André Geraldes e entre 40 a 50 elementos da claque, incluindo a sua direção.

O julgamento, que pertence ao Tribunal de Almada, mas por questões de logística e de segurança realiza-se em Monsanto, prossegue na terça e na quinta-feira, com a inquirição de militares da GNR e agentes da PSP: três de manhã e outros três à tarde, nos dois dias.

ZAP // Lusa

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