Braga vs Benfica | Segunda parte “diabólica” dá em goleada

Hugo Delgado / Lusa

O Benfica garantiu uma importante vitória por 4-1 no terreno do Sporting da Braga, que o coloca na liderança isolada do campeonato.

Os “encarnados” aproveitaram o deslize do FC Porto na visita ao Rio Ave, na sexta-feira, e têm agora mais dois pontos que o seu rival.  Mas só na segunda parte os visitantes mostraram futebol, recuperando de uma desvantagem de 1-0 através de quatro golos, 13 remates contra dois e um grande futebol, numa partida que teve três grandes penalidades.

O Jogo explicado em Números

  • Início de jogo algo repartido na Pedreira, com o Benfica a procurar o domínio do jogo e a chegar ao primeiro quarto-de-hora com 61% de posse de bola, mas somente dois remates (ambos bloqueados), e com o Braga a somar quatro disparos, embora nenhum com a melhor direcção.
  • A tendência do jogo não mudou até à meia-hora, com os “encarnados” a terem mais bola (62%), os minhotos a rematarem mais e com mais perigo (oito disparos, o único enquadrado da partida). A eficácia de passe das duas equipas estava longe da melhor, com os da casa a não passarem dos 64% e os visitantes dos 72%.
  • Nesta fase, o central bracarense Pablo Santos registava o melhor rating, um 5.7pelo que havia feito para anular o ataque benfiquista. Nesta fase somava já dois desarmes, e na frente ganhara os dois duelos aéreos ofensivos em que participara. Até que, o Braga chegou ao golo.
  • O árbitro assinalou falta de Rúben Dias sobre Fransérgio na grande área – depois de o brasileiro ter passado por vários adversários – e Wilson Eduardo (35′) não desperdiçou a grande penalidade. Um golo ao décimo remate minhoto na partida, segundo enquadrado.
  • Nos derradeiros minutos do primeiro tempo, o Benfica pressionou à procura do golo, chegando aos 63% de posse de bola, mas esbarrava em duas linhas cerradas e muito juntas do Braga, pelo que os três remates das “águias” nesta fase foram todos bloqueados pela defesa contrária.
  • Vantagem justa do Braga, numa primeira parte em que soube sempre ser superior tacticamente, a fechar bem os espaços na retaguarda, em especial entre linhas, e a atacar em bloco, com três e quatro jogadores a causar muitos problemas aos “encarnados”. Assim, os lisboetas chegaram ao intervalo com mais posse, mas os minhotos com mais remates e mais perigo, com três dos quatro disparos benfiquistas a embaterem numa verdadeira muralha adversária. O melhor em campo nesta fase era Fransérgio, com um GoalPoint Rating de 6.1. O avançado sofreu a falta da grande penalidade, após um brilhante trabalho individual, registando ainda um passe para finalização.
  • A segunda parte começou com o primeiro remate enquadrado do Benfica no jogo, aos 49 minutos, num livre directo cobrado por João Félix, para defesa de Tiago Sá. E aos 52 minutos, o guardião bracarense evitou o empate com uma grande defesa, a desviar um remate de João Félix na grande área (após bom lance colectivo) para o seu poste direito.
  • A pressão benfiquista nesta fase era grande e, aos 57 minutos, o árbitro assinalou falta de Ricardo Esgaio sobre João Félix na grande área e subsequente penálti. Pizzi, na cobrança, não desperdiçou, ao segundo remate enquadrado do Benfica em oito tentativas.
  • O jogo mudou bastante nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. À passagem do minuto 60, os “encarnados” registavam 69% de posse de bola desde o descanso e quatro remates, dois deles enquadrados, para além de 88% de eficácia de passe. Os minhotos não passavam de um só disparo, sem a melhor direcção.
  • E aos 64 minutos, segundo penálti para o Benfica, com o árbitro a assinalar mão de Bruno Viana na grande área, após remate de Pizzi. O médio benfiquista foi novamente chamado à cobrança e voltou a não falhar. Estava consumada a cambalhota no resultado. O Braga sentiu os golos e Rúben Dias fez, de cabeça, o 3-1, aos 69 minutos, assistência de Pizzi na sequência de um canto da esquerda. Ao 11º remate, quarto enquadrado, as “águias” ganhavam uma vantagem importante.
  • O jogo perdeu um pouco de intensidade, com o Benfica a controlar os acontecimentos e o Braga sem conseguir aproximar-se com perigo da baliza de Vlachodimos. Nos derradeiros dez minutos os visitantes passaram a ter mais espaços para explorar e Tiago Sá evitou novo golo benfiquista em dois momentos, com Tiago Sá novamente a brilhar.
  • Mas nada pôde fazer nos descontos, quando Rafa Silva passou por vários jogadores antes de atirar a contar para o 4-1. Era a goleada na Pedreira, o corolário de uma grande exibição de Rafa – que chegou ao 13º golo na Liga.

O Homem do Jogo

A grande segunda parte do Benfica está ligada (nos dois sentidos) à excelente etapa complementar realizada por Rafa Silva. O extremo benfiquista foi um dos mais activos também na primeira parte, mas foi na segunda que “explodiu”. O GoalPoint Rating de 9.1 é o reflexo de tudo o que Rafa fez na partida.

O internacional luso marcou um golo, o 4-1, num lance em que recuperou a bola, fintou tudo e todos e bateu Tiago Sá com um remate rasteiro.

Ao todo, o extremo fez dois disparos, ambos enquadrados, criou uma ocasião flagrante em dois passes para finalização e completou sete de nove tentativas de drible. Uma grande exibição.

Jogadores em Foco

  • Pizzi 7.9 – O médio estava a ser a grande figura da partida, até entrar Rafa em acção. Pizzi fez dois golos, ambos de grande penalidade, assistiu Rúben Dias para o 3-1 e terminou com três remates (dois enquadrados), cinco passes para finalização e 84% de eficácia de passe.
  • Rúben Dias 6.1 – A exibição do central ameaçava ficar manchada pela grande penalidade que cometeu sobre Fransérgio e deu vantagem aos bracarenses. Mas na segunda metade, tudo mudou, com o defesa a fazer um golo no único remate que realizou, a ganhar os quatro duelos aéreos defensivos e a registar seis alívios.
  • Álex Grimaldo 5.9 – O lateral espanhol não foi tão acutilante em termos ofensivos, pois Wilson Eduardo surgiu no seu flanco a impedir as suas subidas. Contudo, Grimaldo completou 45 de 50 passes, ganhou três de cinco duelos aéreos defensivos (apesar da baixa estatura) e somou quatro desarmes.
  • Fransérgio 5.7 – O brasileiro foi o melhor da primeira parte, com o lance da grande penalidade a ficar na retira. Fransérgio esteve discreto no segundo tempo, mas somou ainda dois dribles eficazes em cinco tentativas e foi o mais castigado, com seis faltas sofridas.
  • Tiago Sá 5.6 – O seu rating não é muito elevado, em parte devido ao facto de ter sofrido três golos. Mas ao longo da partida, o guardião minhoto esteve em grande plano, registando cinco defesas (algumas de grande qualidade), quatro a remates dentro da sua grande área.

Resumo

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