Tragédia no Canal da Mancha. Quatro migrantes morreram em alto mar após Governo rejeitar rota segura

De acordo com as autoridades francesas, quatro migrantes – incluindo duas crianças de cinco e oito anos – morreram ao tentar chegar ao Reino Unido de barco através do Canal da Mancha.

O pequeno barco de pesca transportava migrantes iranianos, incluindo homens, mulheres e crianças, e afundou-se ontem quando atravessava o Canal da Mancha, referiu o oficial, Hervé Tourmente, aos jornalistas em Loon-Plage, perto de Dunquerque.

Segundo o The Guardian, o naufrágio de barco levou à morte de quatro pessoas, uma das quais é um homem que morreu afogado e mais três pessoas que morreram depois de serem resgatas vivas juntamente com mais 15 migrantes que viajavam no barco.

Algumas das pessoas salvas sofrerem paragens cardiorrespiratórias e ataques de hipotermia. Uma outra pessoa, que as autoridades acreditam ser uma criança, ainda está desaparecida.

Um velejador inglês deu o alerta às autoridades, o que deu origem a uma grande operação de busca e resgate na costa francesa. No local foram ativados recursos militares, mas as autoridades também contaram com a ajuda de barcos civis. As duas fações estiveram envolvidas na operação de resgate depois do navio ter sido visto com dificuldades de circulação perto de Dunquerque.

Durante as operações foram ainda acionados barcos-patrulha franceses e um helicóptero da Força Aérea belga, bem como um barco de pesca. No seguimento do acidente já foi iniciada uma investigação pelas autoridades de Dunquerque.

Priti Patel, ministra do Interior do Reino Unido, já reagiu ao sucedido e lamentou as vítimas mortais. “Fiquei triste ao saber da trágica perda de vidas em águas francesas. Os meus pensamentos e orações estão com as suas famílias neste momento”, referiu Patel que já garantiu que o Governo está em contacto com França para tentarem dar resposta ao problema o mais rápido possível.

A ministra inglesa admite que “esta notícia trágica destaca os perigos da travessia do Canal da Mancha e farei tudo o que puder para impedir que criminosos cruéis explorem pessoas vulneráveis”, acrescentou.

Boris Johnson também fez referência aos acontecimentos no Twiteer. Na rede social, o primeiro-ministro britânico escreveu que o país está disposto a oferecer “às autoridades francesas todo o apoio enquanto investigam este terrível incidente”.

De acordo com uma análise da PM Media, só este ano, mais de 7400 pessoas chegaram ao Reino Unido em pequenos barcos, quase quatro vezes mais do que em 2019. Dados oficiais mostram que até junho de 2020 foram registados 3402 pedidos de asilo de menores de 17 anos, dos quais 2789 correspondiam a crianças que procuravam asilo sozinhas.

Rotas seguras e legais podem ser a solução

Contudo, o Governo inglês rejeitou na semana passada, uma proposta de lei que visa garantir que uma das poucas rotas seguras e legais para as crianças viajarem para o Reino Unido em busca de asilo permaneça aberta.

Ellen Ackroyd, diretora da organização humanitária Help Refugees / Choose Love, com sede em Calais, relembrou que neste acampamento “as pessoas enfrentam despejos violentos diários ​​e há uma total falta de informações sobre os seus direitos”, acrescentando que “enquanto o tratamento hostil destas pessoas continuar, estas continuarão a fazer viagens perigosas”.

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Beth Gardiner-Smith, diretora executiva da Safe Passage, um dos vários grupos humanitários que há muito pedem a existência de rotas seguras e legais para os requerentes de asilo, afirmou que “ninguém deveria ter que arriscar a vida para alcançar a segurança e a trágica notícia de hoje é a consequência direta da falta de alternativas seguras”.

A ativista defende que a solução pode estar nas mãos do Governo. “Em vez de especular sobre formas cada vez mais desumanas de recuar e impedir os refugiados que procuram asilo, o governo devia agir para proteger a reunião familiar e expandir rotas seguras e legais para os refugiados”.

  ZAP //

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