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Construtoras de automóveis inventaram filão milionário: extras em subscrições pagas

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Leo Nguyen / Wikimedia

Interior de um Tesla Model 3 autónomo

Utilizadores queixam-se, por exemplo, da inexistência de uma aplicação que combine as diferentes funcionalidades valorizadas durante a condução.

É já uma prática frequente os compradores de automóveis serem convidados a pagar um valor adicional para que o veículo adquirido inclua os chamados “extra“, ou seja, funcionalidades que a versão básica não contém.

No entanto, à medida que os carros  evoluem — deixando de ser meros veículos de transporte assentes em mecânica – e se transformam em peças de tecnologia de ponta, a forma como estes extra são integrados, e cobrados também está a mudar.

De acordo com a Business Insider, muitas das fabricantes de automóveis esperam fazer milhões ao longo dos próximos anos por via das subscrições das aplicações que constam nos ecrãs presentes nos tabeliers dos veículos, permitindo aos seus proprietários usufruir de todas as funcionalidades e aceder a informações importantes como o nível da bateria ou o estado do motor.

Atualmente, muitos fabricantes permitem o acesso a estes dados através de aplicações que já constam do pacote básico disponibilizado, mas e se o dono do carro quiser ir mais além e usufruir de um controlo mais vasto? É aqui que as marcas começam a fazer as suas jogadas, com consequências ao nível dos lucros, nomeadamente mensais, mesmo depois da venda se concretizar

Segundo a mesma fonte, fabricantes como a Toyota, a Subaru ou a Lexus já cobram aos proprietários dos seus veículos um valor extra para que estes consigam trancá-los à distância através de uma aplicação.

Já a BMW, por sua vez, oferece um suplemento de faróis automáticos na intensidade máxima que escurecem quando um veículo se aproxima na direção oposta e volta ao máximo sem qualquer intervenção do condutor.

A General Motors e a Ford também disponibilizam extras como a condução autónoma para os proprietários dos carros que escolhem subscrever essa funcionalidade.

Cada uma das fabricantes, juntamente com a Stellantis, anteveem gerar lucros na ordem de 20 milhões de euros todos os anos através destes serviços antes do final da década. No entanto, o caminho até ao dinheiro é sinuoso.

De acordo com um inquérito conduzido pela J.D. Power, uma empresa de análise de dados e de perceção dos consumidores, 58% dos proprietários de automóveis que atualmente utilizam aplicações dos fabricantes de automóveis não estão dispostos a pagar uma taxa de subscrição por elas.

O inquérito incluiu 32 fabricantes de automóveis, um deles a Tesla, considerada uma referência para aplicações automóveis, explicaram os autores do relatório.

Entre as razões enumeradas para a recusa, estão, por exemplo, a falta de valor ou utilidade das aplicações. O número de utilizadores destas aplicações pode estar a crescer com esta nova vaga de carros disponibilizados pelos fabricantes, no entanto, os proprietários mostram-se também descontentes com a evolução das plataformas.

Ainda segundo a mesma fonte, apesar de existirem aplicações que controlam os carros remotamente, ajudam na navegação e disponibilizam informação em tempo real, nenhuma junta todas as componentes — com base nas que existem atualmente no terreno.

A recolha de dados permitiu concluir ainda que processo de criação das aplicações é também bastante difícil, daí que muitos proprietários de automóveis precisam da assistência dos concessionários antes de as utilizarem.

A pesquisa também recomenda que os fabricantes de automóveis dediquem recursos para o desenvolvimento das aplicações para, consequentemente, aumentarem o número de utilizadores — caso tenham esperança de conseguir receitas dali.

  ZAP //

6 Comments

  1. Já há algum fabricante que tenha como opcional um frigorífico carregado de cerveja e um carro que assume o comando quando o condutor já está com um camadão?

  2. os carros são cada vez + tenológicos e já estamos a pagar por isso.
    Um simples alerta que em nada influencia a segurança ou a condução do carro obriga a levar a viatura à marca pagando-se 40 a 50 euros hora para eliminar o alerta e a isto junta-se o tempo perdido com o reboque, o dia de trabalho perdido, etc.. etc…

    Depois nesta era cada vez + digital é “engraçado” ligar ou abrir o carro com o Smartphone mas quando o sistema for pirateado e tiver que se pagar para resgatar o controlo do carro quem vai pagar? as marcas vão dizer que o utilizador não salvaguardou a segurança do tlm e mais uma vez toca a pagar…
    ou quando o carro for assaltado utilizando um simples smartphone para o abrir ou, pior ainda, para roubar o carro…
    e quando uma simples falha de telecomunicações impossibilitar a utilização da viatura…
    Estamos a pagar mais por serviços que pouco ou nenhum valor acrescentado trazem e vai vir o dia em que nos vamos arrepender…

  3. Acho que o novo futuro será, vender carros, sem nada para lá do essencial. Especialmente no que à “conectividade” diz respeito…

  4. Estou cada vez mais confuso neste mundo de ladrões, os governos inventam toda a variedade de impostos que lhes vem à cabeça, as empresas fazem o mesmo, agora pelos vistos os carros é como as impressoras, venda-nas baratas para depois ganhar nos preços exorbitantes dos tinteiros, estamos rodeados de vigaristas!

    • O cúmulo é quando queres imprimir a preto (e o tinteiro está cheio!) mas a impressora obriga a trocar o tinteiro amarelo (que está vazio, mas que não faz falta naquele momento)!…
      Cortesia dos japoneses da Epson…

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