Entre Julho e Setembro, João Leão conseguiu uma das maiores reduções no défice nos últimos 20 anos

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Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro das Finanças, João Leão

O ministro das Finanças, João Leão

No terceiro trimestre de 2021, o saldo orçamental de Portugal voltou ao verde. Apenas o último trimestre de 2010 e o primeiro de 2011 e o último trimestre de 2014 registaram melhorias maiores nos últimos 20 anos.

Segundo avança o Jornal de Negócios, o saldo orçamental melhorou 4.765 milhões de euros no terceiro trimestre em relação ao segundo, sendo esta uma das maiores melhorias dos últimos 20 anos, mesmo em contexto de crise pandémica.

Os confinamentos levaram a uma crise económica que causou sucessivos défices orçamentais, mas no terceiro trimestre, as contas públicas voltaram ao verde. Os números do INE apontam para que Portugal tenha conseguido um excedente de 1.904 milhões de euros ou 3,5% do PIB entre Julho e Setembro.

Esta é a terceira melhoria mais alta da série do INE, que começou em 1999. Só em duas outras alturas é que se registaram valores mais positivos no saldo orçamental, apesar de, nestes casos, a melhoria ter sido precedida por défices excecionalmente altos nos trimestres anteriores.

Um destes períodos foi o último trimestre de 2010 e o primeiro de 2011. Na altura do governo de Sócrates, o défice orçamental de 2010 foi revisto em alta diversas vezes. Mais tarde, em 2014, o sistema de contas foi revisto e o INE passou a incorporar mais empresas no campo das administrações públicas e alterou o registo de juros relativos a operações de swap.

A outra ocasião foi no último trimestre de 2014, mas seguiu-se à capitalização do Novo Banco em Agosto desse ano, que causou um rombo nas contas públicas. No trimestre em que se deu a capitalização, o défice foi superior a 6.200 milhões de euros, o que levou a uma redução de quase cinco mil milhões de euros nos três meses seguintes.

O défice do conjunto de 2010 atingiu assim o recorde de 11,2% e o do último trimestre foi revisto para quase 8.833 milhões de euros. Já o registado no primeiro trimestre de 2011 desceu para 2.911 milhões, uma quebra de quase seis mil milhões.

Agora, no terceiro trimestre de 2021, João Leão conseguiu um excedente orçamental com a melhoria de 8,8 pontos percentuais do PIB, depois de ter registado um défice de 2.800 milhões de euros entre Abril e Junho.

Esta melhoria deve-se também à receita extraordinária, que já estava prevista no Orçamento de Estado, do reembolso de 1.114,2 milhões de euros do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) de um adiantamento (e juros) que Portugal pagou na altura da troika.

Mesmo sem esta receita extra, a melhoria do saldo continua a ser notável, tendo sido ultrapassada apenas em dois trimestres de 2018 e de 2019.

  ZAP //

14 Comments

  1. Eu só não percebo é como é que, com génios de economia como estes, que tudo melhoram no papel, depois os ordenados e o poder de compra dos Portugueses nunca sobe nem ganha com nada disto. Aliás o artigo é claro: Isto acontece sempre em vésperas de eleições por isso é evidente que são truques de manipulação dos números.

    • Só depois de uma melhoria perisitente nas contas públicas será possível pensar em melhorias de salários públicos. E antes disso é preciso resolver o problema do SNS e da Justiça. A menos que se queira um aumento de impostos, o que também é possível. Basta ver que todos os anos os portugueses gastam 8,5 mil milhões de euros em apostas (dinheiro deitado à rua) para se perceber que há margem para aumento da carga fiscal. Para se perceber melhor, o que se gasta em apostas equivale a mais de 75% do orçamento total da saúde!…

      • Quem compra apostas, gasta. Quem vende, recebe. O dinheiro não é “deitado à rua”, muda de mãos e continua a circular. E ao circular até paga impostos!
        Não estou a dizer que as apostas são uma coisa boa. Estou apenas a dizer que o funcionamento da enconomia é mais complicado do que transparece no comentário do Nuno da Silva!

        • É verdade. Mas na mesma ótica o dinheiro dos impostos também circula. Serve para pagar salários, para adquirir bens, para pagar a fornecedores, para investir em infraestruturas… Logo pagar impostos é bom para a economia… Porque razão protestamos por termos de pagar impostos?…

          • É verdade, o dinheiro dos impostos também circula.
            Se é ou não bom para a economia é mais complicado. Eu, da mesma maneira que sublinhei que não digo que as apostas são boas, também sublinho que não digo que os impostos são bons. E há opiniões para todos os gostos.
            Sobre por que razão protestamos por termos que pagar impostos: Uns protestam, outros não. Mas entre os que protestam, acho que a razão mais comum é as pessoas dizerem que querem ser elas a decidir como gastam o seu dinheiro.

      • E também não refere que a SCM é uma organização não governamental responsável por ajudar milhares de pessoas por esse país afora. E o dinheiro dos jogos serve para isso também.
        Também os seus hospitais dão assistência a muita gente.
        Através de unidades de proximidade, as Santas Casas contribuem para melhorar a prestação de cuidados de saúde, com evidente satisfação das comunidades onde estão inseridas
        O trabalho das Misericórdias incide, especialmente, em áreas como cuidados agudos, cuidados continuados, cuidados primários e meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
        Actualmente, existem mais de 120 unidades de cuidados continuados e 22 hospitais de agudos, entre outras inúmeras respostas de saúde, espalhadas um pouco por todo o país.
        Através de unidades de proximidade, as Santas Casas contribuem para melhorar a prestação de cuidados de saúde, com evidente satisfação das comunidades onde estão inseridas.
        Assim, o que se gasta em apostas, serve para apoiar muita gente.

          • Ó Eu, assim tão malandros como os governantes dos governos PS do Sócrates que foram acusados de crimes ou que não o chegaram a ser porque esses prescreveram?
            Ao Santana não lhe conhecemos qualquer acusação, ao passo que a esses….

            • A estratégia típica para desviar o assunto que comentei – que era a Santa Casa da Misericórdia!…

              Exacto, pelo menos alguns bandidos de governos PS foram acusados (e até condenados); já outros…

  2. Acredito que assim seja. Pelo que conheço intensificaram a cobrança de IRS sobre míseras reformas de pessoas falecidas há alguns anos não dando qualquer possibilidade de argumento aos familiares, enquanto os vivos que obtiveram rendimentos por meios menos lícitos continuam a passear por onde lhes apetece. Pois…os mortos já não votam!!!

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