Internamentos pediátricos por covid são quase nulos – mas há outros vírus que estão a preocupar

Com o inverno à porta, as urgências pediátricas não se mostram sobrecarregadas por infeções de covid-19, mas há outros vírus que estão a afetar duramente os mais novos.

Embora seja nas faixas etárias mais jovens que têm surgido mais casos de covid-19 nas últimas semanas, o peso da infecção nas urgências e nos internamentos é baixo, noticia o jornal Público.

O jornal refere que as urgências pediátricas nestas unidades já chegaram aos níveis de pré-pandemia. Agora, são outros vírus respiratórios que estão em prevalência.

Ruben Rocha, diretor da urgência pediátrica do Centro Hospitalar São João, destaca que as infeções respiratórias, habituais nesta altura do ano, assumem maior peso no que diz respeito aos internamentos.

“Tem havido um acréscimo de afluência à urgência quando comparado com Invernos anteriores. Temos registado dias com mais 300 crianças admitidas [na urgência], o que antes era raro. Em períodos homólogos de pré-pandemia, os números [diários] rondavam as 280″, explica o médico ao Público.

No entanto, no que diz respeito aos casos de covid-19, o especialista diz que “o número de positivos entre as crianças é baixo, menos de 1%”. Os casos são, na sua maioria, com sintomas ligeiros a moderados, sem especial impacto nos internamentos. Assim, em enfermaria não existem crianças internadas com o vírus.

Ainda a norte, no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, a procura pelas urgências está a também aumentar posicionado-se em níveis pré-pandemia. Os principais motivos são as infeções respiratórias, destacando-se o vírus sincicial respiratório (VSR), embora também existam infeções por outros vírus.

Relativamente à covid-19, nos últimos 15 dias têm assistido a um aumento do número de infeções a chegar à urgência, mas “a maioria dos casos são ligeiros”.

O cenário é semelhante no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), onde o aumento da afluência às urgências pediátricas “já se vem a observar há alguns meses”. Também aqui o principal vírus identificado tem sido o VSR nas infeções respiratórias.

No Hospital Amadora-Sintra, “os números de atendimentos da urgência pediátrica estão em níveis pré-pandemia, sentindo-se um expressivo aumento da procura a partir do início do ano letivo, em setembro”, afirmou ao Público fonte da unidade.

“As infeções respiratórias destacam-se na procura do atendimento de urgência, bem como os traumas – quedas e outros pequenos acidentes”, acrescenta a mesma fonte, referindo que a nível de infeções que levam a internamento “destaca-se a infecção por VSR e alguns adenovírus”.

Cristina Camilo, presidente da Sociedade Cuidados Intensivos Pediátricos, salienta ao Público o surgimento do VSR mais cedo do que o habitual.

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“Foi uma coisa que nos criou preocupação e que levou a Direção-Geral da Saúde a recomendar a toma de anticorpos em crianças com determinadas doenças mais cedo do que o habitual”, explica, referindo que nos intensivos pediátricos de Santa Maria, onde trabalha, tiveram cinco crianças internadas no VSR no verão, “coisa que antes não existia”.

  ZAP //

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