A crise reduziu a mortalidade na Europa (especialmente em Portugal e Espanha)

Paulo Novais / Lusa

A recessão económica que começou em 2008 na Europa contribuiu para a queda da mortalidade em todos os países do Velho Continente analisados. É a conclusão de um estudo que constata que nos países onde mais se viveu a crise, como Portugal, Espanha e Grécia, a redução do número de mortes foi ainda maior.

Os autores do estudo publicado na revista científica Nature Communications analisou os dados da mortalidade na Europa entre 2000 e 2010, concluindo que a crise económica que começou em 2008 levou a uma queda no número de mortes de forma generalizada.

A investigação liderada por Joan Ballester, do Instituto de Barcelona para a Saúde Global (ISGlobal), constata que a ligação entre a descida do PIB (Produto Interno Bruto) e a queda da mortalidade “ajustada ao envelhecimento” é tão evidente que nos países onde houve maior recessão, como Portugal, Grécia e Espanha, também se verificou uma maior queda nas mortes.

“O efeito é praticamente imediato“, considera Ballester em declarações ao El País, frisando que a conclusão é “geral para toda a Europa”, ainda que haja países que “reflectem pior essa relação, como o Reino Unido e a Holanda”.

A análise aos anos posteriores à recessão denota que quando o PIB começa a subir, com a recuperação económica, a queda nas mortes pára e começam logo a verificar-se algumas subidas.

Estes resultados prendem-se com factores como a falta de emprego que leva as pessoas a terem menos dinheiro para consumir álcool e tabaco, por exemplo.

Por outro lado, a crise despoletou uma grande vaga de desemprego no sector da construção civil, uma das áreas mais afectadas por acidentes de trabalho, alguns dos quais mortais.

Havendo menos dinheiro também se compram menos carros e motas e há uma tendência maior para usar os transportes públicos, pelo que os acidentes de viação diminuem.

A crise contribuiu ainda para a diminuição da poluição devido à queda na actividade industrial e no transporte de mercadorias.

“Em períodos com altas taxas de desemprego, as pessoas melhoram os seus hábitos de vida – reduzem o consumo de tabaco e o excesso de peso e fazem mais exercício físico“, constata ainda a presidente da Associação de Economia da Saúde (AES) de Espanha, Laura Vallejo-Torres, no El País, referindo a diminuição das mortes por doenças cardiovasculares.

Apesar da queda evidente nas taxas de mortalidade, Vallejo-Torres atesta que falta ainda avaliar as consequências de “longo prazo” da recessão económica. O estudo não abarca “o período de tempo necessário para poder observar os efeitos que serão derivados das repercussões sociais da crise, tais como o aumento das taxas de pobreza e de risco de exclusão social”, atesta esta responsável.

“Além disso, uma redução na mortalidade pode ser acompanhada por um aumento nas desigualdades socio-económicas” e “não é incompatível com um agravamento de certos sectores mais vulneráveis da população”, alerta ainda Vallejo-Torres. Como exemplo aponta a “população imigrante em situação irregular que sofreu um aumento da taxa de mortalidade de cerca de 15% devido às medidas implantadas durante a recessão económica, que incluíam a retirada do cartão de saúde a este grupo”.

Convém notar que as mortes por suicídio fogem à regra do estudo, embora este não se tenha debruçado sobre este ponto em particular. “As pessoas com uma depressão ou que não estejam bem podem reagir pior” perante a crise, conclui Ballester.

SV, ZAP //

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