Descoberto no Côa novo fragmento de rocha gravada com mais de 16 mil anos

Lusitana / Wikimedia

Sítio arqueológicos no Vale do Rio Côa – Núcleo de arte rupestre da Penascosa

Arqueólogos do Côa colocaram a descoberto um novo fragmento de rocha, gravada com uma técnica diferente da chamada arte do Côa, que poderá ter cerca de 16 mil anos, anunciou esta terça-feira o coordenador científico da Fundação Côa Parque, Thierry Aubry.

“É mais um exemplo de que há muito para descobrir no Vale do Côa: encontrámos este novo fragmento de rocha numa camada já oficialmente datada de há 16 mil anos”, explicou à agência Lusa Thierry Aubry, segundo o qual o fragmento agora identificado poderá pertencer a um painel que foi descoberto há já cerca de um ano, e que representa uma cerva.

Após testes de datação por “luminescência”, realizados por um laboratório na Dinamarca quando foi descoberto o painel original, é possível afirmar que esta gravura por incisão tem mais de 16 mil anos.

A descoberta do novo fragmento foi efetuada na sexta-feira, no sítio do Fariseu, em pleno Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) e está a intrigar os investigadores.

“Começamos a ter as peças de um ‘puzzle’ que vai aparecendo pouco a pouco. Não se trata de arte móvel, mas sim de uma parte de uma parede que se desmoronou. Encontrámos esta peça na passada sexta-feira, é muito recente. Ainda estamos a escavar nesta camada e esperamos encontrar outras partes para reconstituir este conjunto, no qual está representada uma cerva feita por incisão, e não por picotagem”, indicou ainda o arqueólogo.

A peça apresenta várias incisões que estão “incompletas”, na opinião dos arqueólogos. “Torna-se fascinante descobrir pouco a pouco mais um pedacinho deste ‘puzzle’, que tem mais de 16 mil anos”, afirmou o responsável.

Após escavações que decorreram em maio de 2021, junto à chamada “rocha 9” do Fariseu, que representa um dos principais núcleos de arte rupestre do Vale do Côa, classificados como Monumento Nacional e inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO, foram encontrados 25 fragmentos de rocha com técnicas diferentes de gravação (picotagem e incisão).

“As duas primeiras peças de xisto que representam a cerva, e que foram encontradas no mesmo nível estratigráfico desta nova descoberta, despertaram a curiosidade da comunidade científica e estão expostas em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Popular, integradas na exposição Arte Sem Limite”, recordou Thierry Aubry.

Agora os arqueólogos vão centrar esforços para perceber se esta nova peça “é adjacente”, mas há a certeza de que o tipo de traço é igual ao da primeira descoberta.

“Esta nova peça deve fazer parte da mesma rocha e do mesmo fragmento do painel que foi destruído. Estas descobertas feitas em contexto de datação são muito pouco frequentes, e temos a certeza de que a Arte do Côa ainda tem muito para dar”, sublinhou Aubry.

A chamada arte do Côa situa-se entre os 25 mil e 30 mil, no que diz respeito à técnica por picotagem, sendo esta descoberta a mais recente na região. E apresenta uma técnica por incisão.

Como uma imensa galeria ao ar livre, o vale do Côa apresenta mais de 1200 rochas, distribuídas por 20 mil hectares de terreno, com manifestações rupestres, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há mais de 25 mil anos, e distribuídas por quatro concelhos: Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Meda.

  Lusa //

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