Benfica vs Ajax | Águia deixou-se caçar

Manuel de Almeida / Lusa

O golo de Jonas não chegou

O Benfica complicou sobremaneira as contas no Grupo E da Liga dos Campeões.  A formação lusa recebeu o Ajax e não foi além de um empate 1-1.

O empate deixa o Benfica a quatro pontos dos holandeses, segundos classificados do agrupamento, a apenas duas jornadas do final da fase de grupos.

Jonas marcou na primeira parte para as “águias”, mas os “lanceiros” tomaram conta do jogo após o descanso e chegaram à igualdade, nunca mais deixando o Benfica pegar na partida. Os 58% de eficácia de passe dos “encarnados” no segundo tempo dizem muito do que aconteceu na Luz depois do reatamento.

O Jogo explicado em Números

  • Início forte do Benfica, à procura do golo. No primeiro quarto-de-hora os “encarnados” tiveram 66% da posse de bola e registaram os dois únicos remates do jogo, ambos com boa direcção. Contudo, não conseguiram criar verdadeiro perigo.
  • Porém, começava a adivinhar-se o golo do Benfica, não pelo dinamismo da equipa, mas pela falta de concentração do guarda-redes do Ajax. André Onana começou por tentar fintar Jonas, causando calafrios aos seus colegas, tendo de atirar para fora.
  • No lançamento lateral cobrado por Salvio, aos 29 minutos, a bola passou por cima de toda a gente, inclusive de Onana, que saiu extemporaneamente da baliza, e chegou a Jonas. O brasileiro parou com o peito e rematou com sucesso para o 1-0.
  • O golo do Benfica surgiu ao quarto remate da equipa, terceiro enquadrado, sendo que à meia-hora o Ajax já chegava aos 52% de posse, mercê de uma superioridade a meio-campo – futebol muito apoiado e pressão intensa sobre o portador da bola dos benfiquistas.
  • A cinco minutos do intervalo, os holandeses continuavam a dominar a posse de bola, mas a sentir muitas dificuldades para chegar junto da baliza de Odysseas Vlachodimos, pelo que registavam somente um remate, e enquadrado, de livre directo.
  • Em cima do intervalo, os “lanceiros” quase marcaram. Odysseias travou um livre com uma grande defesa e na recarga, de ângulo aperta, Donny van de Beek rematou, com a bola a sair rente ao poste direito, quando já se gritava golo.
  • Vantagem benfiquista ao descanso assente, sobretudo, na maior capacidade da equipa lusa em chegar junto da baliza contrária e rematar – aliada à noite desinspirada do guarda-redes Onana.
  • Jonas aproveitou um erro do guarda-redes do Ajax para marcar, sendo que os holandeses quase empataram no último fôlego.
  • Nesta primeira metade, os “lanceiros” tiveram mais posse de bola (54%) mas menos remates, sendo que equilibraram neste pormenor já perto do apito.
  • O melhor em campo ao intervalo era o espanhol Álex Grimaldo, que para além de seis recuperações de posse e quatro acções defensivas, criou uma ocasião flagrante e registava um GoalPoint Rating de 6.4.
  • O segundo tempo começou animado, mas com contrariedades para Rui Vitória. Salvio (48′) saiu lesionado, para a entrada de Rafa, enquanto Jonas também se lesionou (55′), entrando Seferovic para o seu lugar. O jogo era do Ajax, que aos 60 minutos registava 68% de posse de bola desde o intervalo.
  • E chegou ao golo aos 61 minutos, por Dusan Tadic. Passe longo para as costas da defesa benfiquista, o sérvio conseguiu passar Odysseas e, quase sem ângulo, conseguiu desviar para a baliza.
  • Na altura do golo holandês, o Ajax contava com três remates no segundo tempo, dois deles enquadrados, contra nenhum do Benfica. Os portugueses optaram por jogar no contra-ataque sem, contudo, evitar que os visitantes criassem perigo.
  • Apesar de necessitar de vencer, não foi por isso que o Benfica recuperou algum controlo do jogo, chegando aos 70 minutos com apenas 35% de posse de bola. Os 60% de eficácia de passe nesta fase também não ajudavam a equipa a manter o esférico e a criar perigo, ficando fácil para o Ajax anular o ataque benfiquista.
  • Mesmo com a entrada de Pizzi, o Benfica continuou inoperante, apenas com 36% de posse de bola no segundo tempo e 59% de eficácia de passe, ganhando apenas 42% de duelos individuais. O controlo das operações nos últimos minutos era do Ajax e não se vislumbrava forma de as “águias” chegarem à vantagem.
  • Ainda assim, no último lance do jogo, Gabriel teve nos pés o golo da vitória, mas Onana redimiu-se do lance do primeiro golo com uma grande defesa com o pé direito.

O Homem do Jogo

Num jogo em que o Benfica necessitava de ganhar, o facto de o melhor em campo ter sido um defesa pode não bom sinal. E não o foi.

Na verdade, o Benfica esteve muito aquém em termos ofensivos na segunda parte, sendo que o MVP acabou por ser Álex Grimaldo.

O lateral-esquerdo fez um jogo consistente ao longo dos 90 minutos, terminando com um GoalPoint Rating de 6.7. O espanhol rematou duas vezes, ambas enquadradas, criou uma ocasião flagrante, completou três de cinco tentativas de drible, recuperou a posse de bola oito vezes e fez três desarmes.

Jogadores em foco

  • André Onana 6.7 – O guarda-redes camaronês teve culpas claras no golo do Benfica, mercê de uma saída em falso. Porém, recompôs-se e acabou por ser o melhor elemento do Ajax. O guardião somou sete defesas, seis a remates dentro da sua grande área e duas nos últimos instantes a segurarem o empate.
  • Rúben Dias 6.5 – Num jogo de muita luta, Rúben Dias acabou por se destacar pela entrega e competência com que se envolveu nos lances. Para além de ter recuperado sete vezes a posse de bola, completou dois dribles e somou nove acções defensivas, entre elas três desarmes.
  • Gabriel 6.4 – Difícil escrever sobre Gabriel. Tacticamente muito certinho, foi o jogador que realizou mais passes para remate, nada menos que três, completou dois de três tentativas de drible e recuperou oito vezes a posse de bola. Porém, esteve mal nas entregas, com 14 passes falhados em 39, um registo insuficiente para um jogador na sua posição.
  • Hakim Ziyech 5.8 – Mais um jogo desconcertante do marroquino, pela forma fácil como cria perigo, pecando, porém, na eficácia como conclui as jogadas. Mais uma vez foi muito rematador, terminando com cinco disparos, porém só um enquadrado, e tentou seis vezes o drible, apenas duas com êxito. Compensou com um magnífico passe que deu o empate.
  • Salvio 5.7 – O azar voltou a bater-lhe à porta, com mais uma lesão que o retirou de campo no início do segundo tempo. No entanto, teve tempo de fazer uma assistência em dois passes para finalização, completar dois de quatro dribles e acertar as 13 entregas que realizou.

Resumo

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1 COMENTÁRIO

  1. ……..que estranho país este, que sistematicamente vangloriza a sua própria mediocridade e são os estrangeiros a reconhecer valor aos que são efetivamente bons no mundo da bola……….

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