Geólogos descobrem nova camada no manto da Terra

sheaday / Flickr

A viscosidade da camada rochosa a 1500 km é 300 vezes maior do que a uma profundidade de 660 km

A viscosidade da camada rochosa a 1500 km é 300 vezes maior do que a uma profundidade de 660 km

Um novo estudo de investigadores das universidades de Bayreuth, na Alemanha, e do Utah, nos EUA, sugere a existência de uma camada super-viscosa, até agora desconhecida, no interior do nosso planeta, onde as formações rochosas são até 3 vezes mais densas.

Esta nova camada terrestre poderia explicar a razão pela qual certas lajes das placas tectónicas da Indonésia e da costa oeste da América do Sul parecem estancar o seu deslizamento em direcção ao interior da Terra, acumulando-se a uma profundidade de cerca  de 1500 quilómetros.

A estagnação destas lajes a esta profundidade tem intrigado os geólogos há bastante tempo.

“A Terra tem muitas camadas, como uma cebola, e a maior parte das camadas é definida pelos minerais que contém”, explica à Sci-News o geólogo Lowell Miyagi, investigador da Universidade do Utah, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo, publicado na Nature Geoscience.

“Essencialmente, descobrimos uma nova camada do manto da Terra”, explica Miyagi, “que não se define pelos minerais que contem, mas pela densidade desses minerais”.

Lowell Miyagi / University of Utah

Imagem simplificada de uma laje tectónica a afundar-se desde a camada superior do manto terrestre, até estacionar na camada super-viscosa a 1500 km de profundidade

Imagem simplificada de uma laje tectónica a afundar-se desde a camada superior do manto terrestre, até estacionar na camada super-viscosa a 1500 km de profundidade

Miyagi e o físico Hauke Marquardt, da Universidade de Bayreuth, desenvolveram uma simulação do comportamento do ferropericlase, um dos minerais dominantes nas camadas inferiores do manto terrestre, comprimindo o mineral para calcular a viscosidade  das rochas a grandes profundidades.

Segundo os resultados obtidos, a viscosidade da camada rochosa a 1500 km é 300 vezes maior do que a uma profundidade de 660 km.

“Esta descoberta é muito excitante”, diz Miyagi, “significa que a essa profundidade, a viscosidade é de 1×1021 pascal-segundo, ou algo como mil milhões de vezes mil milhões de pascal-segundo”.

“Na escala pascal-segundo, a viscosidade da água é de 0.001 e a da manteiga é de 200”, acrescenta o geólogo.

Esta descoberta pode explicar a ocorrência de alguns terramotos em profundidade – uma indicação de que o interior da Terra poderá ser mais quente do que o esperado – e a razão pela qual a composição do magma dos vulcões submarinos da Islândia é diferente, por exemplo, da dos vulcões do Havaí.

Segundo o cálculo dos investigadores, a esta profundidade, a camada de rochas super-viscosas estará a uma temperatura de 2.148º C, a uma pressão 640.000 vezes superior à pressão do ar à superfície.

Talvez Júlio Verne não estivesse a contar com estas camadas super-viscosas quando imaginou que um dia se poderia fazer uma Viagem ao Centro da Terra.

AJB, ZAP

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