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“Vamos continuar a lutar contra leis regressivas”. Empresas americanas opõem-se à lei do aborto no Texas

O servidor de um dos sites usados pelos delatores dos abortos deixou de suportar o domínio. Empresas como a Uber ou a Lyft também já se comprometeram a suportar os custos legais dos condutores que possam ser processados.

Várias empresas norte-americanas estão a mostrar a oposição com a nova lei que proíbe o aborto depois das seis semanas de gravidez no estado do Texas, quando muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas.

A nova legislação é a mais radical nos EUA e inclui também um sistema que premeia com até 10 mil dólares os delatores que processarem as mulheres e todos aqueles que as ajudem na interrupção da gravidez, quer directamente como indirectamente.

A GoDaddy, empresa de registo de domínios para sites, já mostrou a sua oposição à lei ao remover na sexta-feira um site criado pela filiação do Texas da Direito à Vida – a maior e mais antiga organização anti-aborto dos EUA – onde se davam pistas sobre abortos feitos no estado. A GoDaddy explicou no Twitter que o site violava os termos de serviço da empresa e que tinham 24 horas para encontrar um novo servidor.

A directora de comunicação da Direito à Vida do Texas revelou à CNN que o grupo não vai desistir. “Não nos vão silenciar. Se os anti-vida nos querem tirar o nosso site, vamos voltar a colocá-lo online”, afirmou Kimberly Schwartz num comunicado.

O site tem também sido alvo de partidas dos utilizadores do TikTok, segundo avança o The New York Times. Algumas das denúncias registavam Greg Abbott, governador do Texas e um dos principais defensores da lei, como um dos violadores da legislação, assim como personagens fictícias de filmes da Marvel. Outras denúncias continham apenas cópias do guião do filme animado A História de uma Abelha.

As empresas de TVDE Uber e Lyft também anunciaram na sexta-feira que iriam cobrir as despesas legais dos condutores que possam ser processados por causa da nova lei, já que os motoristas podem ser processados caso levem, mesmo sem saber, uma mulher até o local onde esta faça um aborto. A Lyft vai também doar 1 milhão de dólares à Planned Parenthood – uma ONG que fornece cuidados de saúde reprodutiva.

As aplicações de namoro Bumble e Match, ambas sediadas no Texas, também anunciaram que vão criar um fundo de apoio às pessoas afectadas pela lei. “A Bumble foi fundada por mulheres e liderada por mulheres, e que desde o primeiro dia que lutou pelos mais vulneráveis. Vamos continuar a lutar contra leis regressivas”, tweetou a empresa.

Lei que restringe a votação também sofre oposição

Segundo a Reuters, as empresas também se estão a mostrar descontentes com a nova lei no Texas que restringe o acesso ao voto através da proibição dos locais de votação abertos 24 horas por dia e que dá mais poder aos observadores.

A American Airlines reagiu num comunicado enviado por email. “Esperávamos um desenlace diferente desta legislação, e estamos desiludidos com este resultado”, afirma um porta-voz da empresa.

“Enquanto uma empresa global com 60 mil membros da equipa, a HPE encoraja os nossos membros da equipa a envolverem-se no processo político onde vivem e trabalham e fazer as suas vozes serem ouvidas através do activismo e do voto”, defende a empresa de software Hewlett Packard Enterprise

Uma outra lei também entrou em vigor recentemente que permite que os texanos possam andar abertamente na rua armados sem licença.

“Olhando para a lei do aborto, a lei das armas, ou a lei do voto, é uma forma de justiça popular, em que se dá poder aos indivíduos para aplicar a lei. Tem sido uma semana difícil no Texas e um prenúncio daquilo que se espera no país”, remata Tyson Tuttle, CEO da Silicon Laboratories, empresa baseada em Austin.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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