Coronavírus já está a levar a despedimentos em Portugal

Duas semanas depois de a pandemia de Covid-19 ter chegado a Portugal, começam a registar-se casos de trabalhadores independentes ou com vínculos precários que estão a perder o emprego. 

Apesar de ainda não terem dados oficiais, a CGTP e os Precários Inflexíveis confirmam vários casos, avança a rádio Renascença. Os setores da restauração e da hotelaria são os setores mais afetados, nomeadamente entre funcionários contratados para dar resposta ao habitual aumento da procura no período da Páscoa que, este ano, não se vai verificar. De acordo com a rádio, estão a ser dispensados ainda durante o período experimental.

“O despedimento é uma das áreas em que isso está a acontecer. Temos já conhecimento de muitas situações em que os trabalhadores que tinham vínculos precários foram despedidos, ou os seus contratos não foram renovados”, avança à RR a nova secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, sucessora de Arménio Carlos.

“Estamos muito preocupados com os abusos das entidades patronais por não estarem a acautelar a proteção dos trabalhadores nesta altura”, diz também Daniel Carapau, dirigente dos Precários Inflexíveis.

Segundo este mesmo dirigente, para além das áreas do turismo, os casos de que tem conhecimento também afetam a área da arquitetura, bolseiros, trabalhadores independentes que trabalham em outsourcing e amas contratadas pelas IPSS.

Há também quem esteja a colocar os trabalhadores de férias, adianta a rádio. Uma informação confirmada pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva.

De acordo com o Observador, licenças sem vencimento são outra das opções. O jornal refere também que há encerramentos “ilegais” e trabalhadores que não sabem se vão receber o salário ao fim do mês, ou se o local de trabalho vai sequer reabrir.

Na zona de Lisboa, há ainda casos, como por exemplo o Hotel Marriott, em que já não estão a ser servidos pequenos-almoços aos trabalhadores. Ou então relatos de que as medidas de higiene e proteção individual dos trabalhadores nos hotéis não estão a ser cumpridas, avança o mesmo jornal.

Na construção civil, “há patrões que estão a obrigar os trabalhadores a deslocarem-se e a trabalhar em condições que desrespeitam as mediadas tomadas a nível governamental. Há trabalhadores que já foram ameaçados de despedimento se não trabalharem perante as orientações”, denuncia Albano Ribeiro, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção.

Esta quarta-feira, os ministros das Finanças e da Economia, Mário Centeno e Pedro Siza Vieira, respetivamente, anunciaram um pacote de três mil milhões de euros para as empresas.

Ontem, o Correio da Manhã avançou que, caso não existam fortes apoios do Governo e da União Europeia, a crise económica desencadeada pelo novo coronavírus pode deixar cerca de 340 mil pessoas sem emprego até ao fim do ano.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. A crise já aí estava há muito!…
    A crise de 2008 nunca desapareceu totalmente!!..
    Agora o culpado de tudo é do vírus convite-19!…

    • ?!!! Olhe que lido com empresas de quase todos os setores de atividade e a grande maioria registava encomendas bem para além das capacidades instaladas. O problema punha-se essencialmente na falta de pessoal. Havia dinheiro para investir, havia encomendas mas não havia pessoal. Apenas dois setores (que até são tradicionalmente fortes) estavam com problemas (moldes e calçado)

      PS: E não apoio este governo. Sou de direita. A conjuntura internacional muito positiva estava a arrastar a economia portuguesa (quer ao nível industrial quer no turismo)

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