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Italianos construíram barreiras para impedir chegada de refugiados

Dezenas de habitantes de Gorino e Goro, localidades na costa adriática de Itália, revoltaram-se contra a chegada de refugiados e construíram barreiras para impedir a sua passagem.

A chegada do grupo de refugiados tinha sido autorizada pelo representante da região de Ferrara, Michele Tortora, para ajudar a equilibrar a crise migratória que atinge Itália, um dos países mais usados como porta de entrada para o continente europeu.

A decisão já tinha sido tomada há algum tempo mas os residentes apenas tiveram conhecimento esta segunda-feira, quando foram notificados da chegada de um autocarro com migrantes.

Descontentes com a situação, mais de uma dezena de italianos começou a colocar barreiras na estrada. O protesto prolongou-se até à noite e só acabou depois de uma negociação com as autoridades municipais.

O autocarro seguia com um grupo de 12 mulheres, uma delas grávida, que deveriam ser hospedadas, juntamente com os seus filhos, num hotel em Gorino, povoação com cerca de 600 habitantes. A ideia era que outros refugiados se juntassem posteriormente.

Provenientes da Nigéria, Nova Guiné e Costa do Marfim, o grupo teve de ser realojado para as comunas de Comacchio, Fiscaglia e Ferrara.

Mesmo assim, alguns italianos ainda estão descontentes. Pescadores que vivem em Ferrara anunciaram uma greve nos próximos dias e anunciaram que os filhos não vão à escola.

“Envergonho-me muito do que aconteceu em Ferrara. Estas pessoas que impediram o acolhimento de crianças e mulheres também deviam sentir o mesmo”, lamentou o chefe do departamento de imigração do Ministério do Interior da Itália, Mario Morcone.

Itália recebeu mais de 153 mil imigrantes este ano

O protesto em Gorino e Goro coincidiu no mesmo dia em que o Governo italiano anunciou que, desde janeiro deste ano, mais de 153 mil imigrantes desembarcaram no país, ultrapassando em 10% a quantidade de pessoas que chegaram em 2015.

Há vários anos que Itália se debate com este problema, não só pelo facto de estar localizada no Mar Mediterrâneo mas também por estar muito próxima da costa africana.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, defende a política de acolhimento e de apoio aos imigrantes, mas também alerta os outros Estados-membros da União Europeia para o facto de que esta deve ser uma responsabilidade partilhada por todos.

Por sua vez, o partido nacionalista Liga Norte tem sido um dos principais críticos desta política de Renzi e comemorou pelo facto deste grupo de italianos ter reagido com barricadas.

“Obrigado a todos os que se manifestaram ontem à noite, obrigado a quem lutou para que a democracia e o bom senso vencessem. Os moradores de Gorino são, para nós, os novos heróis da resistência contra a ditadura do acolhimento”, afirmou o secretário do partido e conselheiro regional da Emilia-Romagna, Alan Fabbri.

2016 já é o ano mais fatal no Mediterrâneo

Ainda faltam dois meses para o ano de 2016 acabar mas, segundo um balanço divulgado esta terça-feira pelo ACNUR, este já pode ser considerado o ano mais fatal no Mediterrâneo.

Desde janeiro, já morreram 3.740 refugiados a tentar fazer a travessia, um número ligeiramente inferior comparado com as 3.771 mortes registradas em 2015.

No entanto, a Agência da ONU para os Refugiados relembra que, apesar da queda, no ano passado mais de um milhão de pessoas fizeram a travessia, contra quase 328 mil este ano.

A grande diferença, explica o ACNUR é que, em 2015, uma pessoa morria por cada 269 migrantes que conseguiam chegar à Europa e, este ano, o índice está a ser de uma morte para cada 88 chegadas.

A rota pelo Mediterrâneo é perigosa por vários fatores, não só pelas condições meteorológicas adversas mas também pelo oportunismo dos contrabandistas, que usam embarcações frágeis e botes que não aguentam com o peso de tantas pessoas.

ZAP / Abr / Rádio ONU

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